Cartas d'ela.

Relicário

Vida.

Comecei a escrever esse texto em um sonho, desenvolvi enquanto lavava a louça – o molho branco desgrudou, mas o machucado ainda dói e tem caco de vidro pelo chão – e pretendo terminar agora, estirada no sofá e exausta. Não sei se terminar é o melhor verbo, porque tem textos que nunca acabarão de ser escritos e eu desejo sinceramente que essa seja um desses.

Não será 6 de novembro de 2017 de novo, e eu realmente me incomodo com os dias que passam sem que eu os viva, só os observe.  Não foi o caso dessa semana. E ainda que tenham sido dias doloridos os últimos, muita coisa se construiu aqui dentro, na ilha que eu reservei para você. Eu poderia, é claro, enviar isso por email, mas eu quero ser surpreendida daqui alguns anos, quando o facebook me lembrar – haverá facebook? – ou algum leitor comentar por acaso, ou eu mesma resolver rever que é mesmo que eu sentia em 2017. Eu quero lembrar, letra por letra, da sensação que eu tenho hoje e só posso eternizar por palavra. É por isso que eu guardo mensagens antigas, meu bem. Eu faço delas uma recordação doce, não de você ou de mim, mas da sensação – tão intensa e fugaz – que elas me proporcionaram. Se eu bem fechar os olhos agora, consigo reproduzir o riso que eu soltei, as lágrimas que sempre caem primeiro do olho direito e a sensação de explosão.

Depois, as lágrimas secam, o sorriso se desmonta até virar um lábio mordido de preocupação, o coração se ajeita, o trabalho chama de volta. Mas é isso que é criar memórias, não é? É isso que no cômputo final das existências significa ter vivido uma vida.

Eu amo relicários, você bem sabe. Uso um todos os dias.  Acho que carregar pessoas que amamos talvez seja a proteção que santinho algum é capaz de proporcionar, a proteção de saber que se ama e se é amado de volta.  E existe, vida, alguma coisa que seja mais forte, importante e poderoso que amar?

Eu amo você, indubitavelmente. E porque o amor é isso – lembra do Drummond, né – talvez eu não o ame mais quando eu reler esse texto daqui alguns anos, ou talvez eu ame mais.  Talvez eu nem lembre o dia que você nasceu (22, tá?) ou esteja comprando o vigésimo presente de aniversário. Vai saber. Você me ensinou bastante sobre impermanência e sobre não fazer planos. Vivamos o agora.

Hoje, agora, nesse minutinho que bate um vento curiosamente gelado para novembro, nessa casa que eu fiz quase um templo pra mim – eu o amo muito e me sinto realmente protegida por esse amor, tão base de mim que me recobra o juízo quando eu perco. E como um diário inesquecível, eu construo esse texto, para ser visitado quando uma sombra me ludibriar de madrugada, ou na tarde triste dos  domingos. Faço isso em diários de papel, e não digo. Escrevo mais do que eu permito que você leia, mas é só por medo. Tenho amado bem mais do que tenho dito, mas ando sem capacidade de dizer. Acho que me acostumei com alguns silêncios.

Mas hoje era como se todos os alarmes disparassem em meio ao jogo do corinthians X palmeiras, com crianças berrando, cachorro latindo e gato minado. Tudo aqui dentro, misturado no meu estômago e subindo incontrolavelmente pela boca: caralho, como eu amo você.

Estando assim e mesmo distante, eu posso, hoje, fechar os olhos e saber exatamente o esforço que vai ser roubar um beijo e o quanto vai valer a pena, nem que dure por segundos.  Eu consigo sentir o movimento que as suas mãos fazem pelas minhas costas quando você quer me acalmar. E porque hoje eu consigo reconstruir pedaço por pedaço essa memória é que eu a escrevo. É incrível como você vale à pena.

Que essas palavras também sejam o meu relicário,

M.

ps1. nenhum quadro dá conta para ilustrar.

ps2. não vou mudar nada, independente de qualquer erro.

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Vinte/e/sete

E que outro nome eu poderia dar senão amor, ao que me fez redescobrir um novo mundo todo dia? É como se eu pudesse escolher de novo a cor das coisas e o gosto das comidas. É como se eu pudesse sentir de novo uma certa esperança que a gente perde quando vira adulto. Gostar de você me lembra o prazer que sentia quando aprendi a ler e fiquei lendo cada placa em todas as esquinas em que passei. É a redescoberta do que sempre esteve ali. Como poderia ser menos do que amor a sensação de que existem formas sinestésicas de vida que eu ainda não tinha encontrado? É quase como se páginas novas surgissem no meio do meu livro favorito e mais um poema do Murilo fosse publicado, todo dia. Você é um podcast na segunda de manhã. Uma mensagem no meio da madrugada. Uma bondade da vizinha que eu acabei de conhecer. Uma textura inimaginável de mandioca. Você é o novo de novo: não é que não havia nada antes de você chegar. Sempre houve tudo, só me faltavam os instrumentos para ler. 

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Cartas d'ela., Num é?, Uncategorized

Ermão

Encontrei umas postagens de dia do irmão por aí, inclusive minhas. Quase sempre zuando você de alguma maneira e percebi que eu nunca tinha escrito um texto aqui diretamente para você – mesmo que em tudo que eu escreva sejam visíveis as letras que você traçou em mim.  Acho que não tem porque tudo que eu faço tem tanto do que você faz por mim que é como se eu acabasse repetindo à exaustão. Além disso, é bem provável, ficasse repetitivo, já que existe uma declaração imensa de gratidão em amor tudo que circula em torno de você na minha vida.

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Lembro que eu sentia muita raiva de você quando era pequenininha, porque você adorava me assustar e eu morria de medo da própria previsão do susto: por saber que você viria, eu já temia. E você vinha mesmo e dava um jeito de me surpreender até quando eu já tonha ensaiado as mil formas de me proteger de você.  Mas o que me dava mais raiva ainda é que eu não sentia raiva de verdade de você. Eu fui descobrir isso só adulta: quando a gente está com raiva, a gente simplesmente vai embora. E eu nunca fui embora e quantas vezes – insuportáveis vezes – eu voltei no minuto seguinte, porque eu sabia que você ia me assustar (ainda sei), mas sabia também (ainda sei) que o perigo real era justamente você que afastava de mim.

Você me protegeu de inúmeras formas: das subidas íngremes, das quedas bruscas, de mim mesma – que, vamos combinar, já era suficientemente perigoso – dos meninos e das pedras, dos acidentes e das bebedeiras erradas. Mas o que você não sabe é o quanto você me protegeu do medo do outro. Você sempre foi o meu outro: eu com meu chocolate amargo, você com o branco; eu intempestiva, você calmo; eu chorona, você comedido;eu invasiva, você discreto. Você sempre me ensinou que o outro, o diferente, o oposto: ele é possível.

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Não que você fosse insuportável e tenha me feito conviver com dificuldade com você: ao contrário. Você, vendo o universo de diferenças que eu era, a violência incontrolável que eu carregava dentro de mim, me permitiu ser assim. Você disse que eu podia ser exatamente quem eu era – contra a corrente do mundo que queria eu fosse mais parecida com você. Você me amou diferente, opostamente diferente, de você.

E se é um fardo carregar a expectativa do mundo quando se é irmã mais nova do homem mais incrível do mundo, esse fardo vira um presente quando, justamente, esse cara é o mais incrível do mundo.

Amo você, do tamanho da sua imensa cabeça.

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Cartas d'ela., Pensamento Desvairado

(d)o amor

Porque eu tinha uma ideia certa do que é o amor, não reconheci que havia amor no modo como você às vezes me afastava de você. Por achar que o amor era um só, eu não soube distinguir seus jeitos complicados de me dizer que estava ali. Tendo vivido o que você viveu, tendo sentido o que você sentiu, continuar ali era também dizer que havia amor – ou, mais importante que isso: disposição torta para amar. Mas eu não via. Como meu culpar se eu tinha os olhos tapados pela dor que me escureceu a vista antes de você? Muita lágrima embaça a vista e, até você chegar, muito pouco eu enxergava. Por desconhecer ainda o que é o amor, sei racionalmente que ele é meu e sorte a minha poder sentir, mas enlouquecidamente desejei que ele retornasse até mim. O amor tudo supera, eles me disseram: mas houve dias que eu não pude superar. O amor nada pede, eu aprendi: e me machuquei por te cobrar. O amor verdadeiro é incondicional? Houve vezes em que houve condições para amar. Por não permitir que você me amasse ao seu modo, acreditei que eu pudesse deixar de sentir. Logo eu, que vi seu rosto no prato de macarrão e me virei inteira para encontrar uma vaga no espaço  apertado que você deixou para alguém preencher. Eu,espaçosa. Eu, folgada. Eu, que rasguei com unha toda proteção que me impedia de entrar. Eu, que lutei para caber.  Eu que exauri tentando e achei que se fosse amor, eu não cansaria. Porque eu achei que tinha uma ideia certa do que é amor, achei que ele viria como eu o esperava e quase não o reconheci assim que ele chegou. O amor que é ego; o amor que é cego. Eu, que não percebi que o amor não era uma consequência evidente do “tudo é perfeito”; tampouco uma criação espontânea, eu, que quase esqueci de olhar para o único lugar que poderia responder o que é o amor: dentro – lá bem dentro – de mim

e adivinha? você continua ali.

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Sala de Aula

5 formas de ter mais tempo para escrever uma redação

Não sei se aí todo mundo sabe, mas eu sou professora de Língua Portuguesa e, dentre outras coisas, a produção de texto é uma dos principais meios de ensino da minha matéria. Além disso, não sei se contaram, mas é a disciplina mais importante que tem – ninguém admite, todos sabem.

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Apesar disso, os babys sempre arrumam umas desculpas para não fazer. E a predileta é: eu não tenho tempo. Ao que eu sempre pergunto: não tem tempo ou não prioriza?

Para ajudar os meus pipolhos nessa saga de arrumar tempo, trouxe aqui algumas sugestões de como achar mais tempo na sua grade horária.

1. Passe menos tempo odiando seu corpo

É o seu corpo que leva você para a escola, cursinho, faculdade.  É ele que deixa com que eu abrace você, com que você pratique esporte, beijo quem você ama, cozinhe, dance, pinte, pule.  Ele é maravilhoso, lindinho, funcional, aguenta você o dia todo e só reclama quando você descuida muiiiiito dele. Ainda assim, tá lá toda noite, proporcionando o prazer de esticar as pernocas na cama depois de um dia cansado. Ele não é do tamanho que você queria? Nem da cor? Nem do jeito? Alguém disse que não. Olha bem pra dentro de você: o seu corpo é absolutamente incrível.

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2. Perca menos tempo ouvindo quem não ama você

Não ouça conselhos de quem não ama ou não conhece você. Nem por aplicativos, nem pessoalmente, nem na fila de pão. Cada um sabe da sua luta interna e só os que estão ali, realmente, podem nos aconselhar, sugerir, dividir algo conosco. E mesmo eles não podem decidir pela gente. Então ignora quem não está aqui para ajudar de verdade.

3. Deixe de gastar horas preciosas convencendo-se que você é ruim

Porque você não é. O sistema é. Você tem ótimas qualidades que não são necessariamente avaliáveis em simulados e provas, mas que fazem de você um bichinho único, capaz de mudar o mundo um pouco todos os dias. Você não é ruim se é diferente, não é ruim se não se sente adequado. Seja ético, seja honesto, faça a sua parte e não se culpe se isso parecer insuficiente em um sistema insaciável.

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4.Não desperdice minutos do seu dia se culpando

Não é necessariamente sua culpa tudo de errado que tem a sua volta. Às vezes, é quase reconfortante achar que a culpa é nossa, porque isso nos daria um álibi para tentar mudar. É preciso aceitar que existem coisas que não estão mais a nosso alcance.

5. Economize tempo não tentando ser outra pessoa

Você é o que você é, não tente ser outra pessoa. Tente,  é claro, ser a melhor versão de você mesmo. Seja bom, seja verdadeiro, seja um ser humano que entendo o que significa a coletividade, mas não tente disfarçar sua intensidade para fingir que é igual aos demais; não tente socializar em excesso se é a introspecção que faz bem; não tente rir da piada que não te comove; não tente se adequar a um padrão de comportamento que faça outra pessoa feliz. O que faz você feliz é o que importa.

Tendo seguido essas cinco dicas básicas, acho que sobra 2h da sua semana para você gastar redigindo um texto bem bacana para me entregar. Lembrando que só tem duas coisas mais importantes que redação nessa vida de estudante: saúde mental e autocuidado.

 

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Sala de Aula

O aluno no segundo ano de cursinho

Estava preparando a aula, e pensando no que já sabia sobre isso, pensando no que deveria pensar para aprofundar essa questão e o meu pensamento recaiu sobre a imagem de alguns alunos, cuja lembrança me fez pensar muito em mim mesma enquanto profissional: os alunos que estão fazendo cursinho pela segunda vez (ou terceira, ou quarta).

Cursinho – para que tem o privilégio de poder pagar um que se preocupe de fato com o aluno ou  para aquele tem a sorte de conseguir vaga num popular legal – pode não ser uma experiência de sofrimento. Ao contrário, talvez seja uma situação onde o aluno só sinta a felicidade pelo novo aprendizado e a excitação típica do universo, que é quase sempre muito disposto, alegre e risonho. Sorte a minha de trabalhar em lugares que prezam a sanidade mental dos meus alunos, eu sei.

Volto para ele, esse arquétipo que me preocupa tanto.

Será que ele tem dimensão do quanto existe um mecanismo social perverso que o coloca na posição de culpado?

O aluno no segundo ano de cursinho deveria receber um olhar cuidadoso da nossa parte. No segundo ano do cursinho, a pior sensação do mundo nos toma de imediato: eu fracassei. Ainda que racionalmente o aluno saiba que não fracassou – e, como professor, deveríamos lembrá-lo que quem está errado é o sistema – o coração aperta, os sentidos acusam: de novo as mesmas caras, gestos, piadas, conteúdos. Por mais que um professor refaça sempre sua aula de um jeito diferente – e eu me esforço o triplo porque sei que a repetição mata qualquer boa vontade – ainda há no novo o amargo componente do “eu já vi isso antes”.

A minha forma de me portar em aula pode ser um lembrete silencioso de uma falsa derrota.

O aluno no segundo ano de cursinho obviamente sofre mais que os demais com a pressão social da meritocracia.

Não tenho as armas prontas pra resolver isso. Não sei se é possível uma solução plena.

Mas queria deixar registrado, querido aluno, que a sua companhia é incrível e eu passaria mais anos ao seu lado. Eu desejo que você vá embora só porque eu quero ver você atingindo uma realização pessoal. Se você conseguir superar essa prova complicada, não se esqueça: parabéns, seja feliz, mas você não é melhor que o resto.

Se não conseguir: parabéns, seja feliz, você não é pior que o resto. Não tem a ver com inteligência, tem a ver com capacidade de acumular o conhecimento específico e uma imensa dosagem de sorte e paz de espírito.

Não acabe com a sua saúde mental. Nenhum conhecimento nunca será em vão. Nenhuma vida – ACIMA DE TUDO – nunca é fracassada. Vem cá, pega o café, me dá um abraço e força.

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Cartas d'ela.

Tetris

Eu amo ele, mas a gente é muito muito muito diferente. Eu sempre disse que  tem músicas e filmes que acho bom nunca associar a um caso amoroso, porque daí passa, às vezes dói, e lá se vai uma parte importante da minha playlist embora e, convenhamos, a nossa playlist é um pequeno tesouro, não dá para sair distribuindo moedinhas dele de maneira irresponsável. Mas tem umas músicas lá que foi ele que me apresentou. Parece gospel norte americano, sei lá, comecei a gostar e  quando me dei conta tocava logo em seguida aquela minha favorita que – merda” – lembra tanto ele. Foi nessas que veio ele e meu deus do céu parece jogo de dominó, porque encaixa. Eu tava na boa sozinha, reaprendendo meu espaço de solidão, acostumando com a cama gigantesca. E veio ele.  E o muito louco é que eu sempre enfatizo que, afinal, somos diametralmente opostos e ele diz ‘nem tanto’, mas é.  A gente é completamente diferente, sim. Mas encaixa.  Deve ser isso mesmo, já que peça de tetris igual não costuma encaixar bem, a ponta de uma gosta do buraquinho da outra e eu nem veria malícia nisso, mas ele veria então to aqui prevendo que ele riu nessa parte.  Isso sem contar que ele pega minhas manias, tá cortando palavra e tomando chá, até parece, justo eu, tô aqui vendo palestra sobre cérebro humano. Mas a gente é bem diferente. A gente não curte as mesmas coisas não, só algumas, tipo cinema, filme, trabalho. A gente trabalha muito e se promete trabalhar menos, ninguém cumpre, viu? Mas também ninguém cobra que cumpra. Acho que fizemos um acordo tácito de que, enfim, é isso que a gente é, apesar de ser diferente.  E quando digo diferente é diferente mesmo, sabe? Ele não curte dançar, cê acredita? Nem beber, e eu, onde der, tô bêbada e dançando. Diferentão, né.  Não orna, na realidade. Mas a gente tem tentado. Por exemplo, nunca vi ele fazer as coisas sem pensar e eu tô sempre aí, não pensando no que to fazendo.  Veja você esse texto sem nexo, ele jamais publicaria e eu tô aí, sabendo que ninguém vai entender. Ou vai, vai saber, não é. Olha que nessas coisas de amor todo mundo – até euzinha – fica meio tonto, meio besta, meio inseguro. Olha, mas ele não fica não. É doido que pra ele as coisas parecem ter outra cara, como se ele conseguisse colocar um óculos amenizador de realidade. Nem sempre ele entende que eu uso um óculos intensificador e a gente acabando não vendo as mesmas coisas.  Ah, temos algo em comum: ele também ama vermelho. E eu amo ele, comentei com vocês? digo sempre, sabe, que acho que falar e escrever faz existir o amor também. Ele acredita na existência silenciosa das belezas da vida – mas se for ver bem, ele não cala a boca. Nisso a gente não é diferente, mas quando vejo fico quieta, sim. Não sei o que dizer o tempo todo, não. Fico noiada. E as nóias? Jesus amado, minhas nóias não são as mesmas que a dele, eu briso na sujeira da roupa e ele escova o dente duas vezes seguidos por uma hora quase, mas agora ele não deita de roupa suja na cama, não, ele entendeu que é importante pra mim e tal. Você veja só que louco, tô escovando o dente enquanto escrevi esse texto, de uma vez só, porque eu amo ele e preciso falar e tá tocando minha música favorita agora. Escuta: não é a cara dele?

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