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Educação sentimental com “O Casamento do Meu Melhor amigo”

Nota prévia da autora: spoiler de um filme de 1997 serão emitidos. Se você não assistiu “O Casamento do Meu Melhor Amigo” não leia esse texto. Baixe o filme e veja já.

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Mais de dez anos depois, tudo faz sentido. Em 1997, o “O Casamento do Meu Melhor amigo” foi lançado. Eu vi inúmeras vezes. Todas as vezes que passou na “tela quente”, na “sessão da tarde” ou no “cinema em casa”, eu vi. Dos oito aos vinte anos, vi esse filme. Hoje, aos 23, e com um pouquinho de história amorosa pessoal eu entendo: fui educada por esse filme. Resumo roubado da internet: Julianne e Michael combinaram certa vez que, quando fizessem 30 anos, casariam-se caso estivessem ainda solteiros. Ao receber um telefonema de Michael, às vésperas da fatídica data, anunciando o seu casamento, Julianne percebe, tarde demais, que sempre foi apaixonada pelo velho amigo. Ela é então convidada por ele para ser madrinha de casamento com a bela Kimberly, e aceita somente para atrapalhar e tentar desfazer esse romance. Agora eu acrescento: Kimberly é a aguada, loirinha e certinha da Cameron Diaz e Julianne é a ruiva, cacheada, desbocada e avassaladora Julia Roberts. Eu queria ser a Julia Roberts. Usar um terno risca de giz, ser crítica de gastronomia, ser descolada, fumar e não me casar. O final da história é realista, nada romântico: ele fica com Kimmy e a solteirona descolada de 30 anos termina o filme arrasando na pistinha com amigo gay. E eu segui minha sinopse. Talvez eu seja apaixonada por ele e um dia ele se case. Não serei a dama de honra porque não combino com o cargo. Talvez eu seja Julianne. Mantive os cachos loucos, o terno risca de giz e o jeito deslocado. Não sou a Julia Roberts (que pena), mas continuo vendo muitas Cameron Diaz terminando com os supostos mocinhos. E esse ainda é o que interessa por ai. A Julia Roberts fica triste no filme, mas passa. Ela é cuzona, mas passa. Ela mente, mas depois dá tudo certo. Eu fico triste, minto e sou cuzona.  Foi assim que eu me eduquei: o casamento não é pra mim. A fofura não é pra mim. Os cachos e o terninho risca de giz, sim. E quando dá medo ou tristeza de chegar aos 30 sozinha, eu abro um sorriso (e uma cerveja) e lembro: já fiz amigos gays o suficiente para me tirarem pra dançar.

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