Humorfina, Uncategorized

E eu sou contra a frustração institucionalizada.

Imagem

Com o passar do anos e conforme eu ganho alguma experiência na vida de sala de aula, algumas certezas começam a me acometer. Ultimamente, que a minha grade tem mais aula de redação do que literatura ou gramática, cheguei a conclusão que professor de redação é visto pela maioria dos alunos como apresentador de programa polêmico: datena feelings, entendem? Para os mais retrôs, um Boris Casoy da juventude. Qualquer polêmica, que me interesse ou não, que me concerne ou não, sempre tem um aluno querendo saber a minha opinião. Meu ego imenso acha ótimo, minha mania de falar, também. Porém, não raro, deparo-me com uma situação que me deixa desconcertada: um aluno reaça! ó deus. Ele não tira nota vermelha, ele não mal é educado, ele não grita em sala de aula, ele não atrasa as tarefas. Muito pior que tudo isso: ele é reaça! Com as crianças, voilá, me senti no direito de educá-las com alguns valores. Mas e o cursinho? E o tal limbo pré-vestibular? A gente tenta, mas sabe que eles não estão dispostos a nada que não se encaixe, resuma ou destine à palavra APROVADO. Ok, vamos ao causo. Falávamos sobre o casamento gay quando uma aluna vociferou contra. Vi claramente que ela não acreditava no amor. Nem no casamento. Ao invés de retrucar ou explicar, milagrosamente me contive e, fingindo desviar do assunto, perguntei sobre os seus pais. Eles moravam juntos, dormiam em camas separadas. Ela nunca viu a mãe feliz, nem o pai dar um beijo na mãe. Não, caros, eu não estou dizendo que a culpa de um pensamento reacionário venha (exclusivamente, pode vir também) de um casamento sem amor. Eu, simplesmente, achei um posicionamento: e se fosse proibido o casamento infeliz? Você vai lá, tenta, divide o teto e não dá certo: pluft, separa. E quando não separa? E quando você convive ao lado com a frustração e a infelicidade? Sou contra! É crime isso daí. O mundo inteiro te esperando e você vivendo infeliz ao lado de alguém? Nananinanão. Gays se forem infelizes nos seus casamentos serão igualmente culpados. Negros, também. índios. Árabes. Pobres. Ricaços. Para mim, fica proibida a frustração institucionalizada. Ninguém é obrigado a ser feliz todos os dias o dia inteiro, mas fica proibido manter no papel (passado, como dizem) a sua infelicidade permanente. Daqui pra frente, só se mantém o casamento com amor (e com orgasmo). Eu poderia ser o Feliciano e dizer isso. Mas, droga, nem assim consigo ser reaça: ok, infelizes, casem. Só deixem os gays em paz, ok?

Anúncios
Standard

2 thoughts on “E eu sou contra a frustração institucionalizada.

  1. Lineker Bueno Costa diz:

    Apoiado, é ridículo manter-se num relacionamento infeliz só pra agradar a sociedade, mais ainda é ser homofóbico nos dias atuais.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s