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Dali.

Sempre achei estranho alguém chorar de felicidade. Afinal, toda vez que eu pensava em choro,  um milhão de sentimentos me pareciam plausíveis: a saudade da amiga que foi fazer mestrado na França e justo, naquele dia, seria a pessoa ideal pra dizer: fica calma. Ou o choro que vem daquela angústia esquisita que dá ficar tanto tempo sem ver o sorriso da minha mãe e os olhos do meu pai. Chorei dias e mais dias de nervoso, porque eu até hoje não aprendi a suportar aquilo que eu sou, então, antes do nervoso, acabo inevitavelmente chorando por uma espécie de frustração: eu queria que fosse diferente. Eu choro na tpm e aí eu definitivamente não me preocupe em achar razões para isso, meu campo, enfim, é o das letras e não o dos hormônios. Já chorei de raiva, e não foram poucas vezes. Quantas vezes a moral que me impediu de ofender e o medo de apanhar que me impediu de bater fizeram com que eu engolisse o choro da raiva. O pior de todos, que desce a garganta tão sutilmente quanto uma 51 quente numa tarde de 40 graus campineira. Enfim, de felicidade, como eu disse, não achei que fosse possível chorar. Até hoje de manhã. Quando acordei e me virei de lado, você estava lá. Com tantos motivos que a gente tem para não ficar junto e você estava lá. Lindo, brigando inconscientemente comigo para eu não sair do seu lado – resmungando toda vez que eu me desvencilhava -, enquanto eu brigava conscientemente comigo mesma porque tinha que sair para trabalhar. Tive vontade de chorar, mas era só preguiça. Algumas horas depois, fiquei pensando o que prendia tanto você a mim e eu não conseguia nenhuma resposta realmente concreta. Tinha suposições. Você segurou minha cabeça de um jeito firme e disse algumas dessas bobagens bonitinhas e estupidamente bregas que a gente diz apaixonado. Eu nem lembro exatamente o que você disse, mas eu lembro o jeito que você me segurou e me olhou: todas aquelas suposições pareciam pequenas perto do jeito que você me olhava. Eu, que não sou uma pessoa exatamente sortuda, fico imaginando porque eu teria tanta sorte assim. É sorte demais encontrar o amor da sua vida justamente na sua vida. Não importa quantas vidas haja nessa repetição, sintaticamente pobre e com todo significado do mundo. Reparou que eu perdi o fio do que estava dizendo? Eu falava sobre sentir vontade chorar de felicidade e agora falo de você. Ninguém mais pode ver, mas que fique registrado que você está aqui, nesse sofá, e eu estendo meus pés sobre você como se ali eu descansasse o dobro. Você me olhou intrigado faz uns 2 minutos mas sabe que eu preciso fazer isso. Eu preciso parar e escrever aqui para entender o que eu sinto, de fato. Eu te amo, sabe? E chorar de felicidade realmente não existe. Eu tenho segurado há horas para provar a minha teoria.Imagem

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