À primeira vista, você sabe: a gente logo se viu já se quis, e então foram duas ou três dúvidas – respondidas em uma noite – até que a gente estivesse junto. Amor à primeira vista num tem, conto da carochinha, mais falso que nota de 3. O que tem é tesão à primeira vista e uma vontade insuportável de ficar junto a maior parte do tempo, como se dividíssemos o mesmo galão de oxigênio, vital para respirar. Isso é à primeira vista. É um desejo tão incontrolado que a gente não sabia se conversava, se beijava, ou se contemplava aquela aparição, porque, à primeira vista, a impressão que me dava era que você era a coisa mais bonita que eu já tinha visto passar, existir e (obrigada, universo) você estava ali. Exatamente ao meu lado.
À primeira vista, você não tinha defeito algum e eu sofria procurando alguma razão para gostar menos de você; para querer menos você. Desde o primeiro dia, eu soube: ele vai me destruir. Para o bem, ou para o mal: num dava para saber, mas eu ia diminuir tanto, mas tanto dentro daquela caixa escura chamada paixão que você só conseguiria se lembrar que eu estava ali quando eu gritasse bem alto. Acontece que eu não grito, não. Eu me desespero, eu sofro, mas eu não grito. Eu fico na caixinha da paixão como se ela fosse me proteger e, só quando tô sem ar e com medo é que eu percebo: nunca estive protegida. Aliás, nunca estive tão vulnerável.
À primeira vista, então, aquele desejo que virou paixão, que virou amor, que transbordou e virou uma vida a dois parece o caminho mais fácil de ser feliz. Mas era incrivelmente o mais difícil. Uma vez, escreveu um escritor que ainda não decidi se gosto: a luz, como a escuridão, também cega. E você brilhava tanto, mas tanto, que eu ceguei. E, à primeira vista, eu te acreditei meu. Como se existisse alguma chance de sermos de alguém. Não somos, nem de nós mesmos. Somos parte de uma massa que vai, que segue, que vive. E que se lembra, vez ou outra, de tomar as rédeas da própria vida.
Como diz a música, à primeira vista: quando eu te achei, eu me perdi e demorei pra perceber – talvez só agora, enquanto digito isso eu tenha percebido, que foi o maior erro que eu já cometi.
Mas eu me convenci que errando é que se aprende.
Que tudo que se constrói à primeira vista é perigoso. Que você tem um número quase incontáveis de defeitos que eu não via, mas que agora, à segunda vista, justificam suas atitudes impensadas que eu não notava; seu jeito teimoso, que eu achava até bonitinho; e o seu silêncio, que vem de mãos dadas com os arranhões que você fez na minha alma. Bem piores que os que eu deixei nos seus braços esse tempo todo.
Você se calou, enquanto tudo que eu precisava era te ouvir. Sempre fui eu quem tive que falar, por mim e por você e, muitas vezes, eu odeio a minha própria voz. Quando tudo é ausência, eu esperei. Eu esperei. Eu continuo esperando.
A gente errou feio, bem feio. Quando não tinha nada, eu quis. Olho para o espelho e acho que sou burra. Olho para você e você, à segunda vista, ainda é a coisa mais bonita que eu já vi. Olho para os seus inúmeros defeitos e penso nos meus.
À segunda vista, tem um monte de medo: num é mais poesia, não. É uma crônica que sangra saudade. Mas quando dei por mim, tava aqui.

Ainda estou. À segunda vista, eu amo você. Do jeito exato que você é. Do jeito errado que eu sou.

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