natal kiss

 

Se tem uma coisa que eu desgosto mais do que Romero Britto ou a cor amarela (tenho problemas com essa cor) é gente negativa-ultra-realista-patrulha-do-capitalismo em pleno fim de ano. Qualquer pessoa com o mínimo de consciência social  entende o que está acontecendo no mundo sabe muito bem que um único dia de solidariedade não significa nada nessa universo de problemas graves.. Compartilho com você, pessoa complicada, a microrraivinha que dá quando as pessoas postam freneticamente mensagens cristãs quando são os últimos seres do mundo que praticam o cristianismo em sua essência. Todos sabemos disso. Todos sabemos que o ano novo não é um dia diferente dos outros dias e que é uma data tão comercial quanto o Natal. Mas, sinceramente, tanto faz.

No Natal, eu estou sempre em casa, eu acordo a hora que eu quero com o leite quente que a minha mãe faz. Eu posso ler os livros que gosto e  não só os que preciso, eu posso caminhar pelas ruas da minha cidadezinha que eu gosto tanto e comer todos os quitutes que minha mãe preparou. Tem churrasco quase todo dia, meus amigos de infância e o bom e velho rock do bar da rua ao lado. Eu acordo e trombo comigo mesma anos antes, nas fotos, nas lembranças, em cada pedaço dos enfeites da árvore gigantesca que o meu pai sempre monta com capricho. Isso é Natal pra mim. E eu preciso passar por isso todos os anos como um ritual maravilhoso e fundamental: é a época do ano que tenho tempo suficiente para perceber como eu sou estonteantemente feliz e como gosto da vida que levo.

Mais que isso: é a minha preparação para um novo ciclo que se inicia. Desde que me percebo adulta, os novos anos que vêm são sempre muito melhores que os anteriores. E não é sorte, é crença – esforço também, vá la. Eu sempre acredito no ano novo, mesmo que seja uma mudança de agenda. Eu sempre espero ansiosa minha nova rotina, meus novos alunos e os meus alunos antigos que, ainda bem, ficam sempre por aí e por ali. Eu adoro começar de novo! E você vai me dizer que tudo isso é falta de consciência social, apatia e fuga. E eu vou te dizer que essa sua preguiça do mundo,das festas e da alegria só te deixam mais cansado ainda. E quando estamos cansados, velho amigo que busca um mundo melhor, não lutamos.

E eu vou pra luta, todo novo ano. Eu acho que as coisas podem melhorar. Daí que começo comigo. Começar com a gente é um bom começo, pena que você, assassino de papai noel capitalista, por vezes, se esquece.

Antes que você me olhe torto achando que eu estou mentindo sobre tudo, eu te lembro: o segundo semestre foi o cão e interminável, mas que nem uma montanha-russa: eu morri de medo de não aguentar, eu passei mal, eu achei que não acabaria. Mas o ano, que nem o loop, vira a gente de ponta cabeça e nos põe de volta: sem as mesmas referências, mas com a mesma vontade de começar tudo de novo.

Se você não tem motivos pra começar, que pena. Não posso fazer nada por você, nem ouvir suas reclamações, porque tem algo gritando bem alto no meu ouvido e me obrigando a continuar, sempre em frente.

ps: a autora deseja um lindo natal e um ano novo de muitos projetos, até para os infelizes supramencionados.

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