#eunaomerecoserestuprada

A gente se enche de tristeza quando vê porcentagens sobre qualquer coisa que seja relacionada à mulher. Preconceito, machismo e suas tristes consequências: discrepância salarial, violência, discriminação, estupro de todas as naturezas possíveis.

A culpa é generalizada. A solução só pode ser, também. Ainda me dilacera continuar lendo as estatísticas e sabendo que grande parte das mulheres ainda culpa outras mulheres quando estas sofrem qualquer tipo de violência.
Eu não venho movida pela raiva, mas por uma compaixão – inclusive incomum em mim.

Quem são essas mulheres que se mutilam diariamente e, num reflexo absoluto e direto, continuam se sentindo culpadas e culpando as outras? Até quando uma mulher nasce com culpa – ou a adquire assim que menstrua? Por que a crença perdura fazendo com que inúmeras mulheres e homens acreditem que a sua existência é uma eterna PROVOCAÇÃO aos homens?

Sempre foi fácil para mim ser mulher dentro da minha casa. Uma mãe feminista, um pai feminista, um irmão feminista. Sempre cresci consciente de que ser mulher não era um problema. Porém, meu pai não pode me proteger a primeira vez que, antes de completar 13 anos, um homem me humilhou sexualmente na rua. O meu irmão não pode me acudir quando alguém tentou me beijar a força. Eu não tive o colo da minha mãe quando fui julgada pelo tamanho da minha saia.

O machismo não respeita nenhuma fronteira. Então, se foi fácil pra mim estar em casa, nunca foi por o pé na rua. Ruas, que devem dar passagem, impedem que as mulheres simplesmente caminhem. E sem a função vital de deixar passar, deixam, assim, de serem ruas.

Que a sala de aula, meu campo de batalha, continue sendo minha inspiração: a casca aqui é grossa, porque o mundo me obrigou a ser. Eu preciso ser 3 vezes mais forte para aguentar a pressão de estar diante de um universo de julgamentos de inúmeras vertentes: ela é jovem, ela é mulher. Não esperem de mim delicadeza num mundo que só me dá hostilidade. Minha compaixão vira luta e aprendizado.

Esses dias um ex-aluno, atual universitário, veio dizer a um amigo que aprendeu que era feminista comigo.

É iss: O machismo não é inato. A capacidade do ser humano de aprender, sim. Lutemos, todos os dias, de todas as maneiras possíveis. Porque
EU NÃO MEREÇO SER ESTUPRADA.

NINGUÉM MERECE.

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