Cartas d'ela.

Folha de papel em branco

Nada me incomoda mais que essa folha de papel em branco. Todos os dias eu poderia te escrever, tantas vezes fossem as vezes que eu pudesse te dizer. Mas a folha de papel em branco me lembra que, agora, você não está aqui. Só há folha de papel em branco quando eu vou embora e você fica. Quando eu saio e você estica. A folha de papel em branco não é só falta de letra, é ausência sua. É folha nua. Porque quando você fica aqui não há nada que fique branco, tudo ganhar cor. Não tem espaço vazio, quase não se acha dor. Não tem nada, tem você: o absolutamente necessário para preencher. É que você é esse monte rabiscado de linhas que preenchem o vazio de uma existência. E mesmo que isso Sarte não permita, ao menos a minha cama você habita. Se infiltra. Meu amor de tatuagem, eu sou folha de papel pardo pra você desenhar. Pega a caneta e me pinta aqui. Ali. Acolá. Quando eu tiver triste, pinta o céu para me alegrar. Amor colorido, você é contra a física: ocupa o espaço daqui e o de lá, até mesmo quando você não tá. Fica aqui, você de perto; não se vai, você de longe. Onde você tiver, tem letra, tem felicidade. Onde você não tá,  tem folha de papel em branco.

E saudade.

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