Cartas d'ela.

O amor é fiiiiiiilme.

“O amor é fiiiilme
eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama”

Duas vezes na minha vida eu deixei de assistir um filme no cinema
9 de dezembro de 2005: data do meu primeiro beijo. O filme era “Simplesmente Amor”.
e algum dia do início da década de 90 porque eu e meus amigos achamos o cinema um lugar supimpa para brincar de pique-esconde e o filme da angélica (“zoando na tv”) não me atraía quase nada.

Exceto essas duas vezes, nunca deixei de ver um filme para ficar me atracando com alguém no cinema.
Eu sei que o mundo pode ser muito cruel com adolescentes (acabo de levantar a plaquinha da ironia), e desprovê-los de locais adequais para os primeiros beijinhos, mas eu sempre achei um ultraje – pior que se pegar no fundo da igreja em dia de quermesse – essa coisa de agarrar no cinema e perder o filme.

Acredito inclusive que, se feitas as contas, nunca vale à pena: ok, podemos ver o filme depois em casa, mas a experiência do cinema se perde.
Eu tenho um amor que também adora cinema. Nosso amor não é filme, é cinema. São amores diferentes. Incluindo o fato de que: 1. eu não tenho talento para estrela de cinema. 2. odiaria ter um “the end”.

A gente pode estar no dia mais apaixonado de nossas vidas, ou na pior briga: ir ao cinema sempre resolve qualquer uma das coisas. É capaz que o filme acabe e a gente se agarre na primeira saída, antes até de tirar o óculos (se for 3d) ou que a gente continue uma briga terrível. No entanto, durante aqueles (em média) 120 minutos a única comunicação que ocorre é a do meu pé (sempre congelando) que se esconde no meio das pernas dele. Ou minha mão gelada (e possivelmente suja de alguma comidinha) que procura as dele. Pode até ser que a gente se beije, mas vai ser uma fração de segundo e sempre com a sensação de que estamos fazendo algo muito subversivo.

É preciso encontrar essas pessoas na vida. Não que simplesmente vão ao cinema: mas que vivem o cinema com você. Que compram a briga com você quando você resolve xingar o barulhento da fila de trás. Que sabe qual doce você quer comer e como a tpm pode influenciar na escolha do gênero do filme. Que comem qualquer estilo de pipoca, mas sabe que você – ao contrário da regra – prefere a doce antes da salgada. Que sofre com seu sofrimento de perder o trailler.

É disso que a vida precisa: comidinhas, um amor e um sonho em conjunto: um dia ter a nossa própria sala de cinema.

ps: por você eu perderia cinco minutos de um filme com um beijo. Mas, porque você nunca me pediria isso, eu te amo.

Ouve aqui:

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One thought on “O amor é fiiiiiiilme.

  1. Eu nunca me agarrei com ninguém no cinema… nem quando estávamos só eu e namorada sozinhos na exibição, vendo um filme chato pra caramba – por acaso, um filme brasileiro, num cinema francês. (mas aí não foi que eu não quisesse…)

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