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Microcontos da hashtag, parte 1

Ana Maria queria um homem bom para casar: que quisesse filhos, que montasse a árvore de natal, que jogasse um futebolzinho de sábado de manhã enquanto ela fazia a unha e que tivesse netflix. Ana Maria queria um príncipe que tivesse séries ilimitadas pelo valor de 19,90 ao mês.
Ana Maria conheceu Joaquim: bom menino, décimo terceiro salário guardado para ir para o Guarujá, não gostava de arroz integral, mas comia. Levava a avó para fisioterapia, mas se recusava a assinar o netflix.
Ana Maria que se achava independente, mas preferia guardar o salário e as roupas do futuroquemsabe marido, não queria ter o netflix próprio: queria ser usuária da conta de alguém. Freud explica. Avareza explica. Alguma coisa explica, mas é que Ana Maria – ´namaria para os íntimos – via nesse movimento tão paternal de acolhimento na conta alheia uma marca de virilidade e amor.
´namaria, no dia que se casaria com Joaquim, descobriu que não. Não podia amar alguém que sequer lhe fazia uma conta no netflix. E, nessas de fazer as unhas, descobriu, no salão, que amava mesmo era João. A praça ficou em choque. A família quase deserdou.
Convicta de sua atitude, criou um evento para anunciar seu novo noivo: que também não tinha netflix, mas instalou o Popcorn time para ´namaria e conquistou seu coração.

#mudei #agoraeutoemoutra #popcorntime #namariaejoao

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