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Falta

não há cena mais comovente que o abraço no vazio de ghost. Ele é triste justamente por não ser no vazio. Ele acontece em alguém que a gente não vê, mas sente. Mas a vida é esse mundo esquisito, tão esquisito que consegue ser mais pirado que filme: tem, em volta de mim, fantasma que eu vejo, mas não sinto. Nesse mundão, cheio de pessoas que preferem o mal ao bem, trombar com a beleza, com o amor e a generosidade é algo maravilhoso. Mas tão rápido ele vem, às vezes ele se esvai. Pior, a gente afasta o que mais ama, por puro medo de abraçar o nada.

tenho sentido falta. Alguns abraços são dados, mas eles não nos confortam mais. Sentimos falta da sensação maravilhosa de proteção que só um abraço certo, com um beijo no cocoruto, pode dar.  Pelo visto, crescer é ter mais fantasma na vida, e menos cochilo no sofá depois do almoço. Mais cheiro do que pescoço para fungar. Mais saudade para doer do que para matar.

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em ghost, morreu alguém. Na vida, algumas pessoas morrem, mas ficam; outras, curiosamente, por mais vivas que estejam, vagam por aí na forma volúvel da falta… Sempre esfria de algum jeito. Se o inferno existir, deve ser frio pela falta de abraço.

acho natural todo o medo. De tanto machucar, a gente aprende a não bater mais. Ou deveria aprender. Eu, com os joelhos ralados e as maos calejando, ainda fico tateando o escuro. Eu, que não tenho medo da queda, e sigo abraçando o nada, na esperança mundana – tão corpórea – de cair num abraço (o seu)

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