A amiga da sua amiga pode ser sua amiga. A amiga do seu namorado pode ser sua amiga. A ex-peguete do seu namorado pode ser sua amiga. A atual do seu ex pode ser sua amiga. A namorada do seu irmão pode ser sua amiga. A irmã do seu namorado também. A sua sogra pode ser sua amiga. As primas do seu namorado podem ser sua amiga. A sua nora também. As alunas do seu namorado também. A chefe dele, a estagiária ou a dentista. Ah, as suas alunas também.

Não precisa necessariamente, porque a vida tem mil variáveis. Mas pode.

Uma das grandes armas do patriarcado foi ter posto as mulheres em competição. Objetificadas e sem poder, deveríamos competir para conseguir a atenção do sujeito da ação: o homem.

Os filmes nos ensinam que toda princesa ganha o príncipe de outra mulher (claro que temos recentes exceções, belíssima Malévola). As mães dão esse exemplo, quando odeiam a secretária do marido. Os professores fazem piadas sobre isso. A TV cria novelas cuja trama toda se passa sobre a competição entre mulheres. Usamos o possessivo em fotos do facebook “ele é meu”. E queremos tirar do nosso objeto de amor a possibilidade linda – e maravilhosa – de uma amizade.

Não tenho ciúmes das amigas do meu namorado, mas tive, por anos, das novas amigas das minhas amigas. Há um tempo eu descobri a idiotice disso, e passei a me esforçar sobremaneira para conhecer – e depois amar – as amigas das minhas amigas. A lógica que esquecemos é tão importante: se alguém que eu amo ama aquela pessoa, é mais provável que eu goste do que desgoste dela.

E, desde então, venho ganhado amigas todos os dias.

Nesse dia do amigo, fica um pedido: que seja dia da amiga, acima de tudo. Se você gosta tanto assim do seu namorado, a ponto de achar que ele tem que ser só seu e de mais ninguém, talvez você esteja se esquecendo de amar outra pessoa: você mesma.

Abrace uma amiga hoje. De longe ou de pertinho. E para as minhas amigas: aquele beijo borrocado de batom.

fauvismo