É quase meia-noite de uma quinta-feira. Dei aula até às 22h40, peguei um sanduíche na conveniência do posto e vim pra casa. Liguei a tv para ver jornal. Não tinha começado, estava passando um programa com a Ingrid Guimarães, que eu até acho uma boa atriz. Eu estou exausta. Há pouco, enquanto começava a comer, vi a cena aparentemente final do programa, em que ela discutia com uma mulher negra (não sei o nome da atriz, mas amanhã já achamos essa cena na internet). A cena foi construída em plano e contra-plano das duas, que brigavam – não sei o porquê, mas imagino que por causa do homem que aparecia ao fundo, admirando a briga. Repetia-se em loop infindo o seguinte diálogo.

– vadia

– piranha

– sem bunda

– loira falsa

– cabelo ruim

– biscate

– meu cabelo é bom

– loira falsa

Elas batiam nas próprias bundas e batiam seus cabelos. Não, gente, eu não acho que mulheres nunca devem brigar sob hipótese alguma, a vida tá aí, surpreendendo a gente. Estou muito magoada com uma amiga esses tempos, mas não posso mais imaginar uma situação em que a gente (eu e ela, eu e qualquer outra) se violente com todo o arsenal que nos violentam desde do dia em que nos descobrimos mulher.

Minhas alunas sempre me perguntam o que é sororidade. Existe uma técnica de redação que consiste em definir algo pelo seu contrário. Pois é: sororidade é o contrário disso.

ingrid-guimaraes-alex-carvalho

ps: se você me disser que o humor não constrói discurso, ele tem só que fazer rir, eu acho, de verdade, que você é um idiota.