Cartas d'ela.

Eu que te imaginava.

Porque eu te imaginava mais forte, dei sonhos meus para você cuidar e me esqueci que os sonhos dos outros não pesam e o que você fez o tempo todo foi fingir que os segurava pelas mãos.

Porque eu te imaginava mais sincero, acreditei quando você pediu que eu confiasse em você e te apresentei meu lado mais frágil, incômodo e obscuro.

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Porque eu te imaginava mais doce, inclui seus olhos lindos em todas as visões de felicidade que criei e me esqueci que, não raro, os olhos fecham – até mesmo para a felicidade.

Porque eu te imaginava mais sólido, não vi que você, na verdade, sempre me escapou, escorregando entre as frestas que vida colocava – cá e acolá – entre os nossos passos, quase sempre descompassados.

Porque eu te julgava mais aqui, não vi (não quis ver) que talvez o aqui tenha sido qualquer lugar – onde você nunca esteve.

Porque eu imaginava mais nós do que você qualquer dia já imaginou, eu criei um mundo só para nós dois. Quem criou foi eu. Eu, essa daí que imaginava. Pode ir embora com o sorriso tranquilo e descompromissado com o qual um dia você chegou: a culpa nunca foi sua.

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