Cartas d'ela.

Aquele elástico

Quando criança, ela brincava de elástico. Uma de um lado, uma de outro, e a força que as unia era a força do látex e do amor que ambas sentiam. Elástico. Pulo. Elástico. Era divertido. Era ali, só as duas.

O relacionamento delas era como um elástico. Todo relacionamento é como um elástico: segura duas pessoas unidas; se uma puxa demais, a outra sente. Elástico – e amor – precisa de equilíbrio e de cuidado. Qualquer movimento brusco pode machucar aquela que – por loucura, coragem ou sorte – é a outra ponta… Aliás, elástico parado não estraga, não afrouxa: se por ventura vai, volta.

Ali, no entanto, a coisa ia e voltava demais. Quanto mais ia, mais voltava. Elástico gasto foi ficando frouxo. Não ia mais e nem voltava. Faltava látex e faltava amor.

O que faltava de amor, no entanto, sobrava em apego. Coisa difícil essa de largar o elástico frouxo. Esse elástico que tá com gente há tantos anos e que, não poucas vezes, foi a força que nos moveu a ir e voltar.  O elástico – inutilizado, mas não inútil – perdia seu sentido entre as pernas das meninas. Já não se brincava por ali, já não se amava acolá.

Nem tudo que ia, agora, voltava. E o fio inesticável que unia as duas, quase invisível, sustentava uma história de idas e não mais vindas: de um amor que saiu para passear e mandou a saudade avisar que não voltaria…

portinari

Anúncios
Standard

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s