Você veio, pegou na cintura, sussurrou no ouvido. Ela sorriu, tirou sua mão da cintura dela, falou olhando no seu olho, pra ver se o reflexo dela na lente do seu óculos dizia que ela tava bonita. Você ofereceu um drink, ela aceitou. Ela ofereceu a boca, você beijou. Tinha tudo pra rolar. Rolou. Você podia não ter enrolado ela, mas enrolou. Prometeu, desprometeu, jurou pela mãe morta, depois contou que era orfão. Ela disse que não ligava, mas por que mesmo você não percebeu que era mentira? Sim, ela ligava. Sim, ela chorou e foi muito atriz quando disse que não queria mais te ver. Mas todo palco fecha a cortina. E depois que ela fechou a dela, voltou pro seu abraço se sentindo tão sozinha. Você prometeu, desprometeu. E ela fingiu que acreditou. Mais uma vez. Você fez tudo de novo, ela sabia como ia acontecer. Ela tinha escrito aquele final. Vocês dois juntos, não se suportando mais. Vocês dois separados, não suportando mais a distância.

La Dolce Vita

texto antigo, republicado, revivido, relatado.

Anúncios