Feminismo, Num é?, Pensamento Desvairado

Sem amor, por favor.

“Mais amor, por favor” é uma rima fofinha. Encontramos por aí sendo escrita, reescrita e divulgada na maior boa vontade. Acredito que há por trás dessa mensagem, banal e simples, boa intenção demais, alimentada pelo desespero da violência que, se não é maior hoje em dia – e não creio que seja-, ao menos é mais acessível: 1. porque é mais divulgada; 2. porque é mais reconhecida. As bases da violência têm sido denunciadas por diferentes mecanismos: sociais, culturais, artísticos. O mal todos dizem reconhecer e, como remédio, oferece-se mais amor.

Mas o amor é a melhor desculpa da violência. E não é que eu não creio que ele exista, tal como Deus – ou algo que o valha – eu o sinto diariamente, de maneira pouco explicável em palavras. Sei que aqui ele está e sei em que momentos ele se manifesta, mas eu não teria uma oração, com sujeito e predicado, capaz de defini-lo. Amor é…sei lá.

Sei, porém – e, em termos religiosos, a isso se dá o nome de “Teologia Negativa”, sei o que o amor não é: manipulação não é amor. Opressão não é amor. Imposição de modo de vida não é amor. Massacre não é amor. Intolerância não é amor.

Amor é outra coisa.

Amor é para poucos e com poucos. Não é possível amar a humanidade inteira, porque a nossa capacidade humana é absolutamente limitada, restrita e variável. Ainda nem sei se é possível amar constantemente, sem dúvida alguma, por uma vida.

O amor é efêmero e maluco. A solução não pode ser efêmera.

Por amor, justificaram-se guerras. Por amor, crimes são cometidas. Por amor, perdoa-se o machismo nosso de cada dia, que humilha quase todas (se não todas) as mulheres do mundo. Onde há uma voz sendo calada, não há amor.

Não sei o que o amor é, de verdade.  O que sei é que ele não é nenhuma via possível de vida menos sofrida. E nessa “ontologia negativa do amor”, eu não consigo vislumbrar uma melhora, ínfima que seja, no convívio humano.

Racional, compreensível e duradoura, só a ética.

Menos amor, por favor. Mais ética. Não rima, mas pouparia algumas vidas marcadas pelo ferro quente – e inesquecível – de quem ama demais.

Guerra-e-Pazse eu pudesse renomear “Guerra e Paz”, de Portinari, talvez escolhesse “Amor”

 

 

 

 

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