Cartas d'ela.

Tem gente que veste

Todo mundo se veste, todo mundo se despe. Vestir é mais que colocar um roupa, é também colocar um sorriso. Despir vai além de abrir o zíper, pode ser também deixar todo um sentimento escancarado. Tem gente que não entende porque esse ato de despir para vestir; vestir para despir seja algo tão efetivamente humano. O que essa gente não percebe é que uma ação so pode existir se existir a outra: todo vestido espera ser subido, toda alma quer ser deixada nua, hora ou outra.

Conheço pessoas que não tiram fácil a roupa. Timidez, pode ser. Às vezes acho que a resistência vai além disso: tem gente que tem medo de deixar a gente entrar por dentro do casaco e acabar desnudando o que há de mais sincero (e bonito) ali.

Sou dessas que não sofre para tirar a roupa. Aliás, minha alma tá sempre virada de costas, esperando que soltem aquele botão. Mas a rapidez se repete: ao menor sinal de friagem, puxo o cobertor e me cubro toda – porque conhecer afundo o que diz a minha silhueta no escuro é para poucos, que sabem bem como costurá-la.

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