Cartas d'ela.

A indecisa

Ela não gosta de escolher e prefere que a vida faça isso por ela,  que essa vida maluca não deixe mecanismo algum, suspiro nenhum, “e se” qualquer. Quando escolhe o prato errado de comida, pede para trocar comigo e logo, bem provável, se arrepende de não ter escolhido ficar com o dela mesmo – afinal, já tinha escolhido mesmo e é sempre tão duro.
Entre o certo e o duvidoso, escolhe achar que não tem certeza em lugar nenhum, e fica nessa de preferir ter esperado do que errado demais.

Eu, que sou dessa espécie maluca de gente que sabe bem o quer, escolhi ser espectador da vida dela;  a dúvida que ela traz tem um sabor colorido de espera. Algo que dura mais que perfumo dos bons.

Eu, que decidi minha vida desde menino, sei lá se não queria me perder nessa confusão toda, é misturar cabelo com beijo; briga com carinho; bronca com afago.

Ela não vai decidir nada, eu sei. Isso porque ela não queria ter que caber no potinho da decisão. Por nunca conseguir escolher, enfim, queria ter os dois: e que mal é esse mundo que diz que “uma coisa de cada vez?”

Para quem se sente vários, a escolha é um corte na alma. Um pedacinho da gente que vai embora; cada escolha vira, enfim, uma saudade a mais, uma nota esquecida, um verso guardado na caixinha enorme que ela chama de coração.

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