Aqui nessa cama, há um espaço: tento preenchê-lo esticando ao máximo as pernas, quase em forma de estrela, mas eu não preencho o espaço.

Entre nós, há um espaço: tento preenchê-lo esticando ao máximo as minhas palavras, quase em forma de trilhos, mas eu não chego aí, eu não preencho o espaço entre o tem timbre e meu tímpano.

Insanamente, eu fico tentando preencher o espaço: procurando um último cheiro, buscando suas fotos, tentando lembrar como sua voz soa pessoalmente. Lembro perfeitamente do seu toque e do espaço entre o nariz e os olhos, que eu gosto de beijar. Mesmo assim, o espaço fica, me espreme, me lembra como é difícil quando o vazio fica encarando a gente, esperando por respostas que eu não sei nem se começam por pois ou talvez.

Você é melhor que eu; aceita o espaço, faz dele parte do seu dia, da sua cama, da nossa vida. Você fica no cantinho, sabendo que não dá pra preencher sem matéria o impossível espaço da saudade.

Você, mais racional que eu, espera com calma o dia que a tua gravata volta a encontrar meu salto vermelho, naquele baile de gala (e máscaras) que é o nosso encontro. 

Tá tudo bem, respirando, eu sigo contando os dias, enquanto meus dedos acarinham sua lembrança no escuro.

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