Pensamento Desvairado, Tra-lá-lá

A música que não acaba

Tem dois tipos de músicas nesse mundão: a que acaba e a que não acaba. Mentira: ambas acabam; mas uma honestamente, outra não, vai repetindo loucamente alguma parte da música – o próprio refrão, possivelmente – até o som ir baixando, baixando e minguar. Não respeito esse tipo de música.

As consequências do refrão repetido à exaustão são cruéis: recorrentemente, pegamos raiva desse refrão; além disso, a gente fica com a impressão de quem tem mais. E se tem algo que eu não gosto de sentir é uma falsa esperança de continuidade. Ou tem ou não tem mais vinho. Ou tem ou não tem mais pizza. Ou tem ou não tem mais carinho. Não me forcem a subir o som e tentar entender o que está acontecendo: ou termina ou continua, ficar nesse meio termo é cruel, sabe? E se a gente não pega raiva do refrão, pega raiva de si mesmo, já que se pega repetindo as mesmas palavras junto com a canção, como se fizesse algum sentido isso.

Até aquela que acaba antes da hora é melhor do que a que morre no próprio refrão, pelo menos – seja por imaturidade, ou por não ter mais nada a dizer – ela soube a hora de partir.

Sabe o que é pior? Que escrevo esse texto enquanto uma música acaba assim, repetindo o refrão. E eu? Eu sigo mesmo assim cantando. Aprendi bem certo a lição do desapego, mas ela sempre foi muito teórica e pouco prática. Na hora de desligar o som – considerando que eu o faça – eu sigo cantarolando sozinha o refrão infinito.

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