Pensamento Desvairado

A intensidade como ela é…

Eu lembro direitinho, como se fosse ontem. “O problema é que você é muito intensa e isso sufoca”, disse um rapaz por quem eu me apaixonei na juventude. Com o passar dos anos, essa frase se repetia exaustivamente na minha vida, seja amorosa (“tá indo rápido demais”; “mas é muita coisa”; “vai com calma”), como também nas minhas relações de amizade (conheço poucas pessoas que tiveram uma amizade com término. Eu já tive!).

A verdade é que sim, eu sou muito intensa. E me apaixono perdidamente, e respiro a pessoa, vivo a pessoa, descubro cada pedacinho dela, enlouqueço a ela e a mim, giro na órbita maluca e na velocidade que só os muito loucos (ou muito apaixonados) conhecem.

E isso é um defeito.

Ao menos, isso sempre me foi apontado como um defeito.

Uma ou outra pessoa que eu conheci me disse que isso era uma qualidade – coincidência ou não, essas pessoas seguem na minha vida até hoje. Trombei e me apaixonei pelos indiferentes em relação  a isso: ok que você seja assim intensa, eu não sou e seguimos bem – bem até hoje, eu diria. Acho, aliás, que essa é a relação mais pacífica que eu estabeleço com o mundo, quando a outra parte é mais tranquila, mais racional.

E essa intensidade não se dá só na vida amorosa, não. Eu me entrego de corpo, alma, pele e ossos ao trabalho que eu me apaixono. Às causas que eu acredito. Aos alunos com quem me identifico. Às paixões políticas. Sociais. Eu me apaixono até mesmo por restaurantes e por pratos específicos que eles servem.

Ocasionalmente, isso passa. As coisas pelas quais eu estou apaixonada mudam, mas eu sempre estou nessa loucura. E, na crença que me imputaram de que era errado ser assim – não culpo as pessoas, vivemos a era da parcimônia, do equilíbrio, dos mediadores, das good vibes e da positividade meu cu  – eu lutei contra minha natureza e tentei, incansavelmente mudar.

E aí, mais de uma vez, estabeleci o movimento de proibir a mim mesma de me entregar às pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas.

Mas quem uma vez conhece a liberdade, não pode mais voltar atrás. E eu já senti esse gostinho da liberdade que há – a mais sincera de todas – em ser quem eu sou, na medida exata da minha natureza. E eu sou apaixonada (olha que coisa!) por mim também.

E eu não vou ficar quieta, não. Vai ter texto, música, poesia, dor, vinho, sofrimento, cachaça, abraço, lágrima, gritos, desesperos. Vai ter tudo que cabe na palavra intensidade, que é o nome pelo qual eu atendo no vale dos sentimentos.

Se isso é bom eu não sei. Ruim, menos ainda. É só (e tudo) que eu tenho a oferecer, junto com um batom vermelho, ao mundo que me cerca.

Na pele, pra não esquecer: Como posso amar a grandeza do mundo, se não posso amaro tamanho da minha natureza?

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