O mundo tem mais gente incompetente do que ruim. O mundo tem mais gente que faz errado do que certo, porque simplesmente não tem competência pra fazer o certo. Tem mais gente desonesta que honesta porque é mais fácil. Tem mais separação do que tentativa porque é menos doloroso. Tem mais individualidade do que coletividade porque é infinitamente mais fácil trabalhar sozinho. Trabalhar sozinho é bem sussa: você lida só com suas neuroses, seus problemas e suas dificuldades. Não tem essa de diálogo, de empatia, de tentar fazer diferente. É só continuar errando e acertando sozinho, da maneira incompetente de sempre. Incompetência tem menos a ver com resultados do que com processos. Tem gente que não sabe proceder. É infinitamente mais easy ser sozinho e as pessoas quase nunca têm competência para fazer diferente.

Eu sei da maldade do mundo. Mas tendo a achar que tem gente que não tem competência pra ser mal, ruim cruel: a maldade exige inteligência e algumas pessoas simplesmente fazem o que fazem porque sequer saberiam fazer de outro modo. Tem gente que age como age porque não descobriu que a chave que liga o “agir diferente” também liga o “ser diferente”. E as pessoas mudam de roupa, de estilo, de desejos, mas o que elas são não tem coragem – às vezes, competência  – pra mudar.

No universo de incompetentes, também temos os competentes: tem gente que sabe pra que veio ao mundo e pra que não veio; tem gente que tem competência até na hora de explicar o óbvio (é preciso inteligência pra falar o óbvio); tem gente que sabe estar com as pessoas, sabe fazer companhia. Há os competentes e eles estão aí: dividindo uma cerveja, acordando amassados, lidando com a vida porque a vida lida com eles. A competência é uma questão de humanidade. Todo mundo pode, mas nem a todo mundo convém, porque existe na competência uma consequência perigosa que é topar de cara com a felicidade.

E ser feliz exige muita competência.

 

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