Poeminto, Tra-lá-lá

Cantiga de sorte

Eu não sou esse batom vermelho

nem as minhas tatuagens.

Eu não sou essas roupas coloridas,

nem as milhões de bijuterias balançando e te distraindo.

Eu não sou essa cerveja,

nem essa ressaca.

Gosto do sacolejo da música que toca ao fundo da gente.

exatamente aqui, olhando pra você.

Eu não sou, lembre-se sempre, essa história mal contada de mim.

Eu não sou as suas expectativas – uma pena,

eu não sou seu ideal.

(nem seu mal, nem seu mal)

Eu não sou aquela aula,

nem o livro que eu carrego debaixo do braço.

Eu não sou só a fome

mas queria mastigar cada pedacinho de você.

Eu não sou os meus textos,

nem meu apartamento bagunçado.

Eu não sou essas plantas,

nem o leite,

nem o suco,

nem as frutas que eu trouxe pra ti.

Se eu pudesse,  quer saber, acho que eu te engoliria.

Porém

eu não sou esse vestido preto,

nem esse comentário confuso

Eu não sou nem poeta,

nem nada de novo no mundo.

Eu não faço a mínima ideia do que eu sou

e de quantas de mim eu ainda posso criar.

Um universo todo

uma mulher

– sortuda, isso eu sou!-

‘múltipla, desarticulada, longe como o diabo’

é só amor que me fixa nos caminhos do mundo.

 

picasso7

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One thought on “Cantiga de sorte

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