Não dê a qualquer um os seus poemas

Eles são fracos demais para aguentá-los

culpam os outros, contornam o espaço

para negar tua rima entregue.

Não importa os olhos que lhe comovem

Não dê a qualquer um os seus poemas

Rasos, fundos, úmidos, secos

Falta mão para segurá-los

Os poemas gritam no colo dele

e você mal pode acalmá-los.

Não dê a qualquer um os seus poemas

Se a tocam fundo é porque levam consigo

O que há em você de mais esquecido

Não importa que mãos a enlaçam

Não dê a qualquer um os seus poemas

Que a palavra uma vez dita

faz do sonho falado a ação vivida

e faz da história imaginada

a verdade fundante desse mundo.

Por isso

escuta

NÃO DÊ A QUALQUER UM

(os seus poemas)

 

Eles são a sua proteção mais certa

da sua expressão mais errada.

varo