Cartas d'ela.

Isso tem nome

Tá doendo aí, dói aqui. Às vezes é bom, às vezes não é: até quando não é, é. Faz perder o ar e a razão e arrepia o pelo da nuca. Cabe no colo. Cabe no peito. Cabe na cama. Cama sem jeito, parece que não se ajeita. Dá saudade, mas é bom ficar sozinha. Parece que tem em tudo, parece que preencheu o prato, o copo, a cadeira que gira, o sofá que estica, o chuveiro que não esquenta. E assim preenchendo me deixa assim ser minha. Eu só quero o leve da vida pra te levar.  Toca no rádio, no celular, no chuveiro. Lembra no colar, no batom, no espelho. Esse texto é pra você, meu bem querê. Percebeu, ou quer que eu desenhe? Não sei desenhar, nem célula. Só sei cozinhar e te fazer repetir. Repetir que gosta de mim, também. Tem que falar que gosta, sim. Tem que escrever, gritar, olhar pra lua. Olha você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. A cabeça cheia de problemas, não importa…importa sim,  dá nó: a gente não se entende de longe. Você me pede pra não brigar, como se eu brigasse sozinha. Não é porque você não fala duro que não grita. Até o seu silêncio briga. Eu não sou calma, mas tá toda alma que eu tenho ali. aqui. lá. onde você vai sem me dar um beijo? Tem que beijar, sim. Quando chega, quando vai, quando fica, o tempo todo. Quando a gente tem vontade de encontrar a novidade de uma pessoa. APITOU AQUI. PÃÃÃ. era você, me marcou num meme idiota qualquer que me arrancou uma risada sincera do meio desse texto que não faz sentido nenhum. Você não faz sentido nenhum. Você perde a eloquência fora de sala de aula – eu tô falando comigo mesma. Eu não faço sentido. Você tá melhor? Tá se cuidando? Eu não consigo não cuidar. Eu vou cuidar do seu jantar, do céu e do amar, de você e de mim. De mim? Eu tendo a esquecer de mim. Um dia você disse que me punha no colo e cuidava, mas tem dia que eu não deixo, eu sei que eu não deixo e eu fico desprotegida. Você me protege de tudo, mas não me protege de você. Você me oferece sua história inteira, mas quando você olha pra ela, eu viro areia. Não se esquece que eu também gosto de você. Não se endurece porque eu também te amo, não se endurece. Você guarda rancor, não guardo. Eu guardo, guarda. Guardamos. Tudo volta, sempre volta. Trinta e cinco horas discutindo que no fim, tá tudo bem, eu gosto de você, você gosta mim. Você todo cacto, eu balão – e o contrário. E não vou citar aquela música não. Eu ando num labirinto e você numa estrada em linha reta. Você tem que trabalhar, eu tenho que escrever. Eu só consigo contar algumas coisas pra você. Porque se a gente fala, é verdade, e tem coisa que só pode ser verdade pra você. Nem todo mundo tá pronto para essa verdade. Meu amor, você me dá sorte. Eu não queria te chamar de meu amor, saiu, meu amor, saiu assim, que nem sai outras coisas de mim que eu não tenho controle. Escorre, saiu. Falei: meu amor. E agora? Tudo bem, chamo todo mundo de meu amor. Mas sabe, isso tem nome. Te falei, você não perguntou. Por que você é tão devagar? Tem nome, eu disse e você não disse “que nome”? Ficou quieto. Será que você sabia o nome do inominável? Aquilo que a gente não pode pronunciar. Exatamente aqui, olhando pra você. Não pode falar, se falar é verdade e a gente ta tentando se entender, a gente sempre se entendeu, a gente nunca tentou. Medrosos do caralho. Se você me prometer não fazer mais cócegas, eu prometo não mais esconder nada. Eu vou trancar você pra fora do carro, fazer careta, comprar chocolate, morrer de cólica e reclamar muito, porque isso tem nome. Porque tem textura. Porque tem gosto. Porque não é perfeito. Porque toca no rádio. Isso tem nome, você sabe. Porque a gente se pergunta se devia, se não devia. Tinha que ser ideal? Não é. T Feito chã de hortelã. Tem dor, tem sono, tem preguiça, não acelera o seu coração. Não tô no prato de macarrão, mas eu faço o macarrão e onde tiver meu gosto, tem eu e tem você. Tem gosto bom. Tem que beijar nessa hora também. Tem que beijar com a boca lambuzada de bacon. Tem que beijar, sim. Tem que ficar mais calma. Chama o palhaço. Alguém zela por ti. Tira o sapato, tira a mala, eu só reclamo, você só reclama. Não fala de trabalho, fala da gente, mas a gente é só trabalho.  Põe gif, como põe gif? Explica de novo, me conta de novo, eu escuto de novo se for por você. É por você. Tem nome isso. Mas eu não vou dizer, você vai saber.

Eu não vou dizer, mas você vai ouvir.

Eu não vou escrever, mas você vai ler.

Tudo nessa vida tem nome, até o que a gente não consegue dizer.

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