Cartas d'ela., Num é?, Uncategorized

Ermão

Encontrei umas postagens de dia do irmão por aí, inclusive minhas. Quase sempre zuando você de alguma maneira e percebi que eu nunca tinha escrito um texto aqui diretamente para você – mesmo que em tudo que eu escreva sejam visíveis as letras que você traçou em mim.  Acho que não tem porque tudo que eu faço tem tanto do que você faz por mim que é como se eu acabasse repetindo à exaustão. Além disso, é bem provável, ficasse repetitivo, já que existe uma declaração imensa de gratidão em amor tudo que circula em torno de você na minha vida.

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Lembro que eu sentia muita raiva de você quando era pequenininha, porque você adorava me assustar e eu morria de medo da própria previsão do susto: por saber que você viria, eu já temia. E você vinha mesmo e dava um jeito de me surpreender até quando eu já tonha ensaiado as mil formas de me proteger de você.  Mas o que me dava mais raiva ainda é que eu não sentia raiva de verdade de você. Eu fui descobrir isso só adulta: quando a gente está com raiva, a gente simplesmente vai embora. E eu nunca fui embora e quantas vezes – insuportáveis vezes – eu voltei no minuto seguinte, porque eu sabia que você ia me assustar (ainda sei), mas sabia também (ainda sei) que o perigo real era justamente você que afastava de mim.

Você me protegeu de inúmeras formas: das subidas íngremes, das quedas bruscas, de mim mesma – que, vamos combinar, já era suficientemente perigoso – dos meninos e das pedras, dos acidentes e das bebedeiras erradas. Mas o que você não sabe é o quanto você me protegeu do medo do outro. Você sempre foi o meu outro: eu com meu chocolate amargo, você com o branco; eu intempestiva, você calmo; eu chorona, você comedido;eu invasiva, você discreto. Você sempre me ensinou que o outro, o diferente, o oposto: ele é possível.

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Não que você fosse insuportável e tenha me feito conviver com dificuldade com você: ao contrário. Você, vendo o universo de diferenças que eu era, a violência incontrolável que eu carregava dentro de mim, me permitiu ser assim. Você disse que eu podia ser exatamente quem eu era – contra a corrente do mundo que queria eu fosse mais parecida com você. Você me amou diferente, opostamente diferente, de você.

E se é um fardo carregar a expectativa do mundo quando se é irmã mais nova do homem mais incrível do mundo, esse fardo vira um presente quando, justamente, esse cara é o mais incrível do mundo.

Amo você, do tamanho da sua imensa cabeça.

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