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Vinte/e/sete

E que outro nome eu poderia dar senão amor, ao que me fez redescobrir um novo mundo todo dia? É como se eu pudesse escolher de novo a cor das coisas e o gosto das comidas. É como se eu pudesse sentir de novo uma certa esperança que a gente perde quando vira adulto. Gostar de você me lembra o prazer que sentia quando aprendi a ler e fiquei lendo cada placa em todas as esquinas em que passei. É a redescoberta do que sempre esteve ali. Como poderia ser menos do que amor a sensação de que existem formas sinestésicas de vida que eu ainda não tinha encontrado? É quase como se páginas novas surgissem no meio do meu livro favorito e mais um poema do Murilo fosse publicado, todo dia. Você é um podcast na segunda de manhã. Uma mensagem no meio da madrugada. Uma bondade da vizinha que eu acabei de conhecer. Uma textura inimaginável de mandioca. Você é o novo de novo: não é que não havia nada antes de você chegar. Sempre houve tudo, só me faltavam os instrumentos para ler. 

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