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2017 me ensinou: uma retrospectiva!

Fim de ano a gente faz um trabalho de rememoração que é sempre muito doido. O final de 2016 foi um estouro pra mim: exaustivo, cheio de feridas, mudanças drásticas na vida. Acontece que eu me deparei com uma mudança que eu achava que fosse a ideal: a moderação. Afinal, eu tinha passado 27 anos vivendo a loucura de ser quem eu sou, isto é: intensa, verborrágica, entregue, passional.

Olha, eu sempre gostei muito de ser quem eu era e me gabo, hoje aos quase 29 anos, dos meus feitos imateriais, já que construí, com muito amor, relações sólidas de amizade, admiração e parceria. Uma profissão que eu amo, uma família ponta firme e uma vida material estável e suficiente encerram o cômputo geral das coisas que eu diria que me classificam como alguém muito, mas muito feliz e realizada…

Aliás, seria absolutamente mentiroso se eu dissesse que eu não fui feliz em 2017. Eu fui. Vivi emoções memoráveis, um relacionamento amoroso de carinho – que acabou, porque as coisas acabam, mas sem dor alguma – conquistas profissionais inigualáveis, emoções fora do meu controle, como ser paraninfa/patronesse da turma de terceiro ano que eu tanto amei. E, ca ra lho, eu acabei meu doutorado: uma pesquisa muito violenta, porque mexeu com vários mundos de dentro de mim que, ou eu não conhecia, ou conhecia e não gostava.

Porque eu sabia que 2017 seria um ano de muita intensidade, eu não me entreguei tanto. Foi só agora no finalzinho que eu me deixei tomar de vez. Eu treinei o ano todo a moderação: sem grandes brigas, é verdade, mas também sem grandes declarações. Se só a tese foi capaz de me levar ao inferno, também não me permiti que nenhuma sensação boa me levasse ao céu.

Valeu à pena?

Tudo vale, diria o Pessoa.  E vale mesmo, porque – bem ou mal – a gente aprende.

Entre alguns choros e outros sorrisos, eu lembrei que eu prefiro o desespero e a gargalhada. Essa coisa de moderação não é comigo não, gente. O ônus de sofrer pouco foi sentir pouco… Até beber pouco, eu bebi. Pude contar nos dedos as madrugadas memoráveis que tive, logo eu, que tanto adoro juntar uns amigos e virar a noite em torno do vinho, criando memórias.

Eu vi pouco minha família, porque eu precisei me enclausurar. Longe deles, fiquei mais longe de mim mesma.

Eu senti pouco, muito pouco.

e eu sinto muito, mas eu sinto muito.

e eu gosto…

gosto quando arrebata, dói, confunde. Eu gosto de me afundar nas pessoas, nas relações, nas palavras. Eu gosto de mergulhar no que eu tô sentindo e fazer disso palavra, texto, vida, em cinquenta mil tons de vermelho vibrante. Os tons pastéis podem até me deixar elegante, mas me afastam de mim, também. Eu gosto de dizer o que eu calei. EU GRITO! Eu me jogo no sofá. Eu não disfarço que tô apaixonada…

Eu aprendi que fugindo da paixão, ela me caça de volta. E tudo que eu não disse, acaba saindo num jato de vômito, misturando um sentimento que nunca passou com duas garrafas de vinho.

Eu voltei pro tinto. Eu não sou quieta. Eu não disfarço amor. Eu beijo e abraço sem parar. Eu não sento no sofá enquanto tiver música para dançar. Gostei de ser moderada, o momento da vida exigia isso. Mas agora eu volto, no melhor estilo réu confesso, devolvida a mim mesma, doida pronta para dar uns mergulhos bem loucos e eventualmente me afogar.

Se precisar, aceito respiração boca a boca.

 

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