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Diário da saudade, dia 1: as mãos.

A primeira coisa que reparei foi no conjunto barba-cabelo e, confesso, sempre foi meu fraco. Mas poucas pessoas sabem que a minha loucura mesmo são as mãos. A primeira vez que eu vi as suas foi quando você mexeu no rádio do meu carro, quando a gente ia atrás de um hambúrguer – que, depois, passaria a ser o meu predileto.

Que saudade das suas mãos. Elas são enormes, e a impressão que dá é que você vai ser capaz de envolver minha cintura inteira juntando as duas. Gosto de elas serem grandes e fortes, mas igualmente capazes de fazer um cafuné delicado que me derruba em cinco minutos. E massagem. E aperto. E carinho.

Gosto quando você brinca com as minhas unhas e de subir e descer, ao longo dos seus dedos longos, com a ponta dos meus. Ocasionalmente, beijá-los, e depois morder e depois enfiar minha cara na palma como se eu coubesse inteira ali dentro.

Gosto de quando você segura meu pescoço e como consegue tampar minha boca inteira com uma mão só. É o único silêncio que eu desejo.

Gosto de todos os toques que suas mãos são capazes. Gosto do tato. Gosto do tamanho. Gosto de passar a língua. Gosto do gosto e do cheiro. Gosto de quando, antes de dormir, você me entrega sua mão, cansadaço, desejando boa noite.

Mas gosto principalmente de como ela encaixa direitinho da minha e segura firme, dando um recado constante de que você não vai me deixar escapar.

Não de novo.

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