Cartas d'ela.

Não solta da minha mão

Andando pela rua a qualquer hora da tarde eu notei que, quando estou sozinha, tendo a esperar uma pessoa resolver atravessar a rua para que eu vá também. Às vezes não o faço, mas fico confortável quando sim. Sou meio desajeitada e já quase morri atropelada um sem número de vezes. Notei que eu tenho ímpetos de pegar na mão de quem tiver ao meu lado para atravessar a rua. E de mãos dadas acho essa travessia mais fácil.

Sei que as crianças odeiam quando os pais as obrigam a segurar na mão para alguma coisa, mas eu queria muito falar para essas crianças aproveitarem que, na vida adulta, vai ser meio desconfortável pegar na mão das pessoas e muitas delas sequer vão entender qualé a graça disso.

Já tive um namorado que tinha aflição de andar de mão dada. Teve até uma vez que ele soltou da minha mão porque achou melhor que não nos vissem juntos. Honestamente, foi a coisa mais decepcionante da minha vida.

Andar de mão dada é um voto de confiança na pessoa. É uma belíssima divisão de espaço e responsabilidade. É a fórmula ideal do companheirismo que mantém duas pessoas lado a lado – não da pra simplesmente sair andando na frente quando se está de mãos dadas. Aliás, que fique registrada minha absoluta ojeriza de quem sai andando na frente de quem vinha caminhando junto. É o retrato do individualismo, e eu vim pra essa vida pra dividir.

As mãos, as linhas delas, os dedos. Encostar os anéis.

Mãos dadas não são só para casais, não. Mãos dadas são uma estrutura de quem quer partilhar um caminho. Mãos dadas são um voto de confiança: quem dá as mãos diz como que em silêncio “eu tô aqui pra você. Você está aqui pra mim”.

Andemos de mãos dadas. Às vezes, contra o olhar do outro. Às vezes, sem sequer ser notado. Andemos de mãos dadas enquanto é possível andar. Andemos porque é massa apertar aquela mão quando der medo, quando der tesão, quando der siricutico de dizer, no meio da tarde: eu amo você.

É como diria Drumond, “vamos juntos, de mãos dadas”, que de caminhada solitária o mundo já tá cheio. Vamos juntos, de mãos dadas, pra vida passar com leveza, com trilha sonora ao fundo, porque o que vale nela tem seu jeito.

Vamos de mãos dadas até pra dormir, lembrança constante que você tá ali.

E eu quero sentir se entrelaçarem os dedos meus enquanto houver dedos seus por aí…

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2 thoughts on “Não solta da minha mão

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