cabeludo

Carolina Florence

A rua chama Carolina Florence. Ela é longa, tão longa que chega até a pista que a gente pega para chegar na casa dele. Quase sempre a gente tá correndo pra lá e pra cá, entre o trabalho dele e o meu; a terapia dele e a minha; o jogo dele e a minha aula de dança. A Carolina Florence, que é uma rua longa mesmo, deixa a gente com tempo de ouvir um monte de músicas.  Eu, que não sou nada criativa para nomes de lista, fico classificando as músicas do mundo entre favoritas, novas favoritas, muito favoritas etc e tal. Ponho qualquer uma das muitas favoritas. São boas, óbvio, senão não seriam minhas favoritas. Sempre toca alguma coisa que a gente gosta – f a v o r i t a s. Ou que eu gosto, no caso, já que é sempre a minha lista. E a música parece ter sido feita pra nós. Tudo que é bonito acho que escreveram pra ele. De Milton Nascimento e Djavan a Los Hermanos; de Nina Simone à Ivete Sangalo. Na cama pequena em que I’m feeling good. Toda breguice tem sentido, espaço, vivência.  Absolutamente tudo me lembra os olhos dele, que eu gosto tanto que eu juro que teria um filho na esperança que nascesse com esses olhos. Esse é o ego máximo do amor; porque o amor move os mesmos pedaços que pareciam irremovíveis da gente, a gente pensa que tudo foi feito pensando em nós. Na Carolina Florence, esses olhos ficam brilhantes com a luz do fim do dia.  Como é quase sempre hora do rush, a fila de carros ilumina a tudo e a todos com uma luz vermelha de freio.  E é aí que olhos dele brilham. Já tentei capturar em foto, nada mostra a beleza disso tudo, vermelho, olho brilhando, Milton ao fundo, estrada de fazer o sonho acontecer. Geralmente eu tô exausta das mil coisas que meu corpo gosta de fazer com o corpo dele. Ele sabe o quanto eu gosto daquele cabelo comprido e solta assim que vê minha mão subir pelo pescoço, procurando os fios soltos para fazer um cafuné. No vermelho dos freios dos carros, ele parece um sonho. Chama Carolina Florence a rua onde a gente se declarou mais honestamente Onde eu caio no choro e na gargalhada. Eu já perdi as contas de quantas vezes eu senti que meu peito ia explodir se eu não gritasse: alô, pessoa na rua, eu amo esse homem. Eu amo esse homem! OUVIU, BUSÃO, EU AMO ESSE HOMEM. Eu amo esse homem com toda a minha alma. Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria. Se eu tivesse que percorrer essa rua todos os dias da minha vida, eu percorreria. Carolina Florence é o nome da rua em que eu fico projetando um futuro para nós dois, morrendo de medo na exata medida em que morro de felicidade. Eu não sei o que eu quero da vida, mas sei que quero que tenha ele.  Então eu até sinto prazer naquele trânsito parado, no vermelho do farol.  Ele sempre me dá um beijo delicioso no farol da Carolina Florence. E eu sigo indo. Eu vou quantas vezes forem necessárias da casa dele à minha, contando sempre os dias pra levá-lo de vez praquela que a gente ainda vai chamar de nossa.

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