cabeludo

A namorada que eu me tornei

Tenho gostado muito de ser eu mesma. A idade traz uma coisa gostosa de, finalmente, aceitar as condições que nós mesmos nos colocamos. A gente é o que dá conta de ser, um dia de cada vez. Não que eu não tenha grandes ambições morais. Melhorei muito meu jeito ansioso, mas ainda quero não ficar impactada com alguns e-mails. Também quero não sentir pressa de cumprir meus prazos, mas já me sinto mais confortável em dizer não, não consigo entregar nessa data. Ainda serei menos ciumenta!

De tudo que a idade, a terapia e a vida me trouxeram, acho que a que mais me orgulho é meu modo de me relacionar. Construir relacionamentos saudáveis e ter pessoas boas comigo é algo de que me orgulho muito. Isso é mérito delas também.

Hoje também sou uma melhor namorada. Errei com muita gente, erraram comigo também, e eu achava que aquela dor que sentia na época não era justa e que eu não merecia ter sido tão maltratada.

Eu não mereci a dor que alguns relacionamentos me trouxeram, é verdade. Mas eu mereço a experiência que eles me deram de reconhecer em alguém algo que eu quero construir. Eu não mereci ter sido tratada como um bem de consumo, absolutamente descartável, mas eu mereço muito ter aprendido que isso diz mais sobre quem fez isso comigo do que mim mesma.

Eu mereço olhar para pessoa com quem decidi dividir a vida e conseguir, de verdade, fazer isso. Dividir a cama com alguém é fácil. Entregar nas mãos de outra pessoa a chave de toda sua fragilidade, não. Hoje eu amo de um jeito que nunca amei: exposta. Alma nua. Tudo que é meu (inclusive meus medos, meus sonhos) são dele também. Tudo que é dele to disposta a dividir (as tretas e angústias também). Nunca planejei uma vida onde coubesse algo além de mim, hoje penso sempre em dois. Não sabia, nunca soube, falar no plural. Hoje o nós é a pessoa que eu mais uso.

Eu chego e ponho, hoje, nas mãos do menino que eu amo, toda minha verdade: ele me tem, a sua frente, despida de qualquer máscara. Se ele quisesse me ferir, ele saberia como, porque eu disse exatamente onde dói em mim. E como dói. E por que dói. A gente não entrega o jogo pra qualquer um. É claro que ele pode pegar todas as minhas fragilidades e fazer delas o que bem quiser. Mas o amor que eu aprendi a dar não tem medo nenhum. Não passa pela minha cabeça que qualquer ferida possa me esvaziar de novo. Eu tô consciente do nível de entrega. To boiando em mar aberto, braços escancarados. Não vou afogar. O amor que eu aprendi a dar vem de uma certeza inabalável de que eu sei quem eu sou, mas tão bem eu sei e me conheço, que, se precisar, eu sempre posso me reconstruir de novo.

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