Havia um menino que era livre como ninguém sabia ser – livre para além da consciência kantiana, livre para além do niilismo sartreano; livre tipo um software: criado para ajudar e sem cobrar por isso. A liberdade que ele me ensinou me coloca sempre em xeque: ele me pergunta o porquê das coisas que eu faço e eu não sei o porquê, ou sei e não quero admitir e o menino que é livre sabe que, no fim, a gente precisa admitir os porquês, já que liberdade está exatamente nisso. Fazer escolhas. Nem todo mundo lida bem com ter que abrir mão. O menino livre sabe tanto de liberdade que entendeu que abrir mão é inexorável. Sempre faz parte. Ter calma e responsabilidade para abrir mão é o que nos faz livres. O menino não está preso, nem a algoritmos, nem a preconceitos. Não ter medo de aprender faz parte de ser livre. Ligar radares e dividir, com paciência, com quem não sabe. Tem liberdade no ensino e no aprendizado. Tem liberdade em fazer porque é certo fazer, não porque existe resultado a apresentar. Acreditar em si, no outro, no mundo: o menino livre não sabe, mas me ensina sobre fé, sem nenhum dogma. Fé nas possibilidades, sem julgamento ou castigo. Fé e só. Fé no ser humano. Livre.

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