Faz tempo que eu deixei de seguir a blogueira fitness. Eu me lembro de ela ter sugerido que se vazassem nudes para garantir a dieta. Não fazia muito tempo, uma amiga minha tinha perdido uma aluna – que se suicidou  – em função de nudes vazados.

Eu nunca a perdoei. Ontem, um monte de gente que eu respeito estava falando sobre ela e eu fui atrás de entender. Só li as notícias. Não vi os vídeos, nada. Soube até que uma marca deixou de patrociná-la.

Por quanto tempo? Ela deve saber. Para cada besteira que ela faz, ela deve ter um cálculo de tempo em que tudo volta ao normal. Uma estratégia do uso da beleza. Porque a população entorpecida perdoa. Há um aval ético em perdoar aquilo que representa o ideal eurocêntrico-rico-saudável-feliz.

person covered by white cloth
Foto por fotografierende em Pexels.com

Eu não preciso te lembrar da posição de privilégio dela. Você sabe.

Eu também não preciso te lembrar da estrutura de montagem das redes sociais. Você sabe.

Mas seguimos dando um aval ético para o padrão estético. E do outro lado? Do outro lado, massacramos corpos abjetos. Rejeitamos pessoas que não respeitam o padrão. Culpamos gordos, negros, trans.

Subjetivamente, quanto mais perdoamos a blogueira, mas nos culpamos por não darmos conta. Por querer comer mais. Por não fazer 30 minutos diários de exercício. Por, simplesmente, não conseguir dizer: foda-se a vida.