Sala de Aula

5 formas de ter mais tempo para escrever uma redação

Não sei se aí todo mundo sabe, mas eu sou professora de Língua Portuguesa e, dentre outras coisas, a produção de texto é uma dos principais meios de ensino da minha matéria. Além disso, não sei se contaram, mas é a disciplina mais importante que tem – ninguém admite, todos sabem.

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Apesar disso, os babys sempre arrumam umas desculpas para não fazer. E a predileta é: eu não tenho tempo. Ao que eu sempre pergunto: não tem tempo ou não prioriza?

Para ajudar os meus pipolhos nessa saga de arrumar tempo, trouxe aqui algumas sugestões de como achar mais tempo na sua grade horária.

1. Passe menos tempo odiando seu corpo

É o seu corpo que leva você para a escola, cursinho, faculdade.  É ele que deixa com que eu abrace você, com que você pratique esporte, beijo quem você ama, cozinhe, dance, pinte, pule.  Ele é maravilhoso, lindinho, funcional, aguenta você o dia todo e só reclama quando você descuida muiiiiito dele. Ainda assim, tá lá toda noite, proporcionando o prazer de esticar as pernocas na cama depois de um dia cansado. Ele não é do tamanho que você queria? Nem da cor? Nem do jeito? Alguém disse que não. Olha bem pra dentro de você: o seu corpo é absolutamente incrível.

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2. Perca menos tempo ouvindo quem não ama você

Não ouça conselhos de quem não ama ou não conhece você. Nem por aplicativos, nem pessoalmente, nem na fila de pão. Cada um sabe da sua luta interna e só os que estão ali, realmente, podem nos aconselhar, sugerir, dividir algo conosco. E mesmo eles não podem decidir pela gente. Então ignora quem não está aqui para ajudar de verdade.

3. Deixe de gastar horas preciosas convencendo-se que você é ruim

Porque você não é. O sistema é. Você tem ótimas qualidades que não são necessariamente avaliáveis em simulados e provas, mas que fazem de você um bichinho único, capaz de mudar o mundo um pouco todos os dias. Você não é ruim se é diferente, não é ruim se não se sente adequado. Seja ético, seja honesto, faça a sua parte e não se culpe se isso parecer insuficiente em um sistema insaciável.

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4.Não desperdice minutos do seu dia se culpando

Não é necessariamente sua culpa tudo de errado que tem a sua volta. Às vezes, é quase reconfortante achar que a culpa é nossa, porque isso nos daria um álibi para tentar mudar. É preciso aceitar que existem coisas que não estão mais a nosso alcance.

5. Economize tempo não tentando ser outra pessoa

Você é o que você é, não tente ser outra pessoa. Tente,  é claro, ser a melhor versão de você mesmo. Seja bom, seja verdadeiro, seja um ser humano que entendo o que significa a coletividade, mas não tente disfarçar sua intensidade para fingir que é igual aos demais; não tente socializar em excesso se é a introspecção que faz bem; não tente rir da piada que não te comove; não tente se adequar a um padrão de comportamento que faça outra pessoa feliz. O que faz você feliz é o que importa.

Tendo seguido essas cinco dicas básicas, acho que sobra 2h da sua semana para você gastar redigindo um texto bem bacana para me entregar. Lembrando que só tem duas coisas mais importantes que redação nessa vida de estudante: saúde mental e autocuidado.

 

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Sala de Aula

O aluno no segundo ano de cursinho

Estava preparando a aula, e pensando no que já sabia sobre isso, pensando no que deveria pensar para aprofundar essa questão e o meu pensamento recaiu sobre a imagem de alguns alunos, cuja lembrança me fez pensar muito em mim mesma enquanto profissional: os alunos que estão fazendo cursinho pela segunda vez (ou terceira, ou quarta).

Cursinho – para que tem o privilégio de poder pagar um que se preocupe de fato com o aluno ou  para aquele tem a sorte de conseguir vaga num popular legal – pode não ser uma experiência de sofrimento. Ao contrário, talvez seja uma situação onde o aluno só sinta a felicidade pelo novo aprendizado e a excitação típica do universo, que é quase sempre muito disposto, alegre e risonho. Sorte a minha de trabalhar em lugares que prezam a sanidade mental dos meus alunos, eu sei.

Volto para ele, esse arquétipo que me preocupa tanto.

Será que ele tem dimensão do quanto existe um mecanismo social perverso que o coloca na posição de culpado?

O aluno no segundo ano de cursinho deveria receber um olhar cuidadoso da nossa parte. No segundo ano do cursinho, a pior sensação do mundo nos toma de imediato: eu fracassei. Ainda que racionalmente o aluno saiba que não fracassou – e, como professor, deveríamos lembrá-lo que quem está errado é o sistema – o coração aperta, os sentidos acusam: de novo as mesmas caras, gestos, piadas, conteúdos. Por mais que um professor refaça sempre sua aula de um jeito diferente – e eu me esforço o triplo porque sei que a repetição mata qualquer boa vontade – ainda há no novo o amargo componente do “eu já vi isso antes”.

A minha forma de me portar em aula pode ser um lembrete silencioso de uma falsa derrota.

O aluno no segundo ano de cursinho obviamente sofre mais que os demais com a pressão social da meritocracia.

Não tenho as armas prontas pra resolver isso. Não sei se é possível uma solução plena.

Mas queria deixar registrado, querido aluno, que a sua companhia é incrível e eu passaria mais anos ao seu lado. Eu desejo que você vá embora só porque eu quero ver você atingindo uma realização pessoal. Se você conseguir superar essa prova complicada, não se esqueça: parabéns, seja feliz, mas você não é melhor que o resto.

Se não conseguir: parabéns, seja feliz, você não é pior que o resto. Não tem a ver com inteligência, tem a ver com capacidade de acumular o conhecimento específico e uma imensa dosagem de sorte e paz de espírito.

Não acabe com a sua saúde mental. Nenhum conhecimento nunca será em vão. Nenhuma vida – ACIMA DE TUDO – nunca é fracassada. Vem cá, pega o café, me dá um abraço e força.

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Sala de Aula

Um universo inteiro, vocês…

Estamos vivendo uma crise séria na educação brasileira e tem muito a ser dito e escrito sobre isso. Deixo a quem o fará melhor que eu. Deixo, inclusive, aos alunos, que são a voz mais importante a ser ouvida nesse momento.

Escrevo no egoísmo. Escrevo para ser lida só por alguns, hoje. Escrevo para os meus alunos, que estão, hoje, absolutamente envolvidos pela ansiedade da bateria de provas que tá começando.

Vocês têm uma memória de merda, eu sei. Lembram da roupa que eu estava na primeira aula, mas nunca do Art. 5º (aproveito e deixo aqui a deixa para revisar). Com um pouquinho de esforço, porém, vocês vão se lembrar de algo que eu disse quando nos vimos na primeira aula: vocês são um universo inteiro, cada um de vocês.

Universos que se encontram, se tocam, se relacionam, mas continuam ali: fortes, completos, capazes. A prova não é o universo, o universo é você. Não falta nada a você, não falta nada para completá-lo. Você é pleno e inteiro.

Você tá morrendo de medo, obviamente, e o que  o espera é mais que a prova, é a prova e as expectativas – suas e do mundo – sobre ela. É a prova e os sonhos que você construiu. É a prova e o sono acumulado. É a prova e o medo de se sentir incapaz. É a prova e a vontade de receber de volta, em forma de recompensa, o empenho todo…

Olha bem pra titia: eu falho, todo dia. Minhas expectativas se frustam, meus sonhos não se realizam. Meu sono acumulado nem sempre respalda em sucesso. Eu me sinto absolutamente incapaz, dia ou outro. E tô viva! E tô feliz!

Essa sensação vai voltar várias vezes na sua vida ainda. Impossível impedi-la. Mas ainda dá tempo de fazer como um dia me ensinaram a fazer: fique aí, inteiro, isso é só um momento difícil. Encarem essas provas como elas são: provas, dentro de um sistema injusto e cruel. Não tire sua responsabilidade, mas não se culpe por tudo. Não se impeça de sofrer se precisar, mas não ache que o sofrimento não acaba. Não pense no ano que vem. Não adie felicidade. Não pense que só vai ser bom “quando…”. Pode ser bom agora, pode ser bom hoje ainda. Você nunca pode ser medido por nada que você faça. Aliás, você não poderá nunca, na riqueza do que você é, ser compreendido por uma parte que escapa de você. É muito mais que nota, que medo, que aprovação. Gente é muito mais que qualquer coisa que possa ser calculável.

Em hipótese alguma, pense que você é incapaz. Um ventozinho que balança a árvore, nunca vai destruir um universo inteiro ❤

Eu amo vocês. Eu tô aqui. Boa prova!

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Sala de Aula

Do dia 15 de outubro de 2016

Se você conhece esse blog, já reparou que no subtítulo dele tem “sala de aula”. Sala de aula é meu rolê. Tablado é meu lugar no mundo. Ou seja, mais da metade dos textos que você vai encontrar nesse blog foram escritos para pensar na minha vivência lecionando. Da porcentagem que sobra, muitos deles são recados para os meus menines.

Eu tava bem indisposta de escrever sobre a profissão. Meus colegas professores fizeram uma leitura muito boa do que tá acontecendo por aí e o quanto é difícil falar dessa profissão, que é tão elogiada, mas de alguns elogios tão vazios quando respaldados na prática. Na dureza do dia a dia, a maioria dos ‘parabéns pelo seu dia’ são trocados por ‘professor é privilegiado’; ‘professor tem duas férias ao ano’, entre outras coisas bem mais violentas. Isso sem contar no total descaso político…

Os tempos são de escola sem partido. Se antes o adjetivo que costumeiramente ouvíamos era ‘vagabundo’, agora é ‘doutrinador’. Eu sempre solto uma gargalhada desesperada, repleta de um desesperado sarcasmo de quem não tem certeza se é fantasia ou realidade o que tá vendo acontecer.

O contraponto dessa loucura – e e bem louco MESMO – é que, mais do que nunca, os nossos alunos precisam da gente. A velocidade com que as mudanças do mundo estão acontecendo não é desculpa para gente travar. Idade não é desculpa para não se atualizar. Cansaço não pode ser desculpa para violência. O medo não pode nos paralisar, não agora. Especialmente não agora. Se a gente ficar quieto, quem lutará pela gente?

A gente tá bem cansado, pessoal. E eu não tô falando só do fato de ser outubro e fim de semestre. A gente tá cansado é de ficar na corda bamba! A gente tá exausto de ser desvalorizado. A gente não é importante “porque formamos médicos, engenheiros e advogados”, a gente é importante porque a gente forma gente. O nosso privilégio é um só, pessoal: ter alunos. É esse o único e irrestrito privilégio. Aluno é um negócio massa, uma relação que transcende muito. Uma troca de energia que não é explicável nesse texto. É uma cumplicidade pro resto vida.

Por isso, não posso lidar com professor que não tá disposto a aguentar a treta. A treta do dia a dia e a treta das ruas. Não posso lidar com professor que entra e sai da sala de aula, traduz o conteúdo na lousa, repete a frase quando o aluno diz que não entendeu – mas não explica, ainda assim. Não posso lidar com professor que coaduna com o que estão fazendo com a gente.

Eu fico imensamente grata e fortalecida pelo que me escreveram meus alunos hoje. Eu tenho um amor por vocês que não existe em outra relação da minha vida. Essas mensagem me fortalecem a aguentar mais um cadinho o ringue que virou a minha vida.

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Num é?, Sala de Aula

Da paixão e da gripe…

Não sei se todo mundo aqui sabe, mas professor também faz uns outros bicos além de dar aula – que não é bem trabalhar, né? – nessa vida. Por exemplo, eu sou consultora de moda dxs alunxs, conselheira amorosa e apoio para quaisquer tretas.

Tem hora, confesso pr’ocês, que eu preferia responder sobre o existencialismo sartriano do que explicar por que, afinal, o fulaninho deu um pé na bunda do ciclaninho, que é tão lindo, meigo, maravilhoso. Eu não sei o que dizer: “eu jamais terminaria com você” é minha reposta clássica. Mas a vida, babys meus, é mais que só o que a gente pensa que faria…

Esse texto – saia daqui se você é velho amargurado – é uma explicação leve sobre uma coisa que vai acontecer muitas e muitas vezes na vida dos meus alunxs (e na minha também): a marvada da paixão.

A maioria está conhecendo essa coisa linda pela primeira vez: coração acelerado, perda de apetite, saudade 5 minutos depois de ver a pessoa, vício, abstinência, enxergar a cara dela até no arroz (e no feijão também). Eu, que sou macaca velha, ainda tenho esses sintomas. Que dirá os meus pimpolhos?

Daí que eu trombo com essas caras apaixonadas pra cá e pra lá (e tem coisa mais linda quando isso daí é recíproco e a gente tem a impressão que só cabe nóis doisinhos no mundim todo?); eventualmente, porém, trombo com a carinha de tristeza…

Eu queria explicar pra vocês que paixão, gente, é que nem gripe: a gente até toma uns remédios para disfarçar os sintomas, mas só o tempo cura. Igualzinho gripe, mesmo que você já tenha pego naquele mês, ela dá um jeito de mudar de vírus e te pegar de novo. E machuca, dói, arde, esquenta, esfria, inflama, dá febre, dá piriri, dá de tudo.

A gripe chega na gente quando a resistência cai; a paixão quando a guarda baixa. Elas tiram o nosso sono e deixam a gente meio fora do eixo, mesmo. E não dá muito pra lutar contra, é mais fácil deixar levar, ir na mesma toada, ao invés de brigar com algo que, enfim, tem seu ciclo e sempre vence a gente…

Claro que paixão tem uma vantagem e uma desvantagem sobre a gripe. A vantagem é a parte boa e a possibilidade da reciprocidade (já acordou pra fazer xixi e tinha uma mensagem que não tinha nada, só vontade de dizer algo?); a parte ruim é que ela às vezes marca a alma da gente pra sempre, até quando passa – tipo marquinha de catapora. Mas sabe? Isso faz da gente o que a gente é. Com medo das marcas, uma galera não se apaixona. Euzinha, meuzamô, deixo marcar memo: ainda arranco a casquinha pra ver se dói mais um pouquinho… Tem doido pra tudo, né?

Apesar disso tudo, uma coisa você pode ter certeza: e você alimentar a paixão, ela guenta um tempão, daí nem parece gripe, fica tipo lombriga, verme etc. E dá cada vez mais fome de mais e mais paixão. A gente nunca fica satisfeito e é uma delícia. Porém, se você deixar a paixão pra lá, uma hora ela passa, eu prometo. Aos poucos a febre vai embora, depois você já não tosse. De repente, o nariz parou de escorrer (os olhos também) e tcharã: você já tá pronto pra correr na chuva…

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…e trombar com outro vírus poderoso por aí.

(paixão pode doer – igual gripe – mas lembra sempre que a gente tá é vivo!)

 

 

 

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Cartas d'ela., Sala de Aula

Tá tudo bem, vem cá.

Esses dias, enquanto dirigia, eu ouvia uma música bem bobinha da Pitty, que eu adoro. Logo em seguida, o flow colocou Queen, que eu adoro. Mais duas músicas depois, Caetano. Depois, Novos Baianos, depois Led Zeppelin, Rolling Stones – para, enfim, eu trocar para rádio e estar tocando roupa nova. E eu cantei interpretando. Ri de mim mesma, na adolescência, eu jamais admitiria que amo pagode anos 90, que Fundo de Quintal e Raça Negra me fazem sair da cadeira e que estendi esse chamego até os 2000 e bolinha junto com Inimigos da Hp. Jamais a gótica que eu fui admitiria que, sim, ela amava (amo ainda) AC/DC, mas que também se sacudia com Zeca Pagodinho. Adolescente tem dessas.

E eles continuarão tendo, mas a gente – que é adulto e tão ou mais perdido – tem que avisar que tá tudo bem.

Tá tudo bem gostar de Megadeth e Sandy e Júnior. Gosto musical não é pílula do matrix, pode escolher os dois.

Tá tudo bem ser amiga do fulano e do beltrano, essa coisa de que a gente tem que criar inimigos é lendinha.

Tá tudo bem ser cristã, sabe? Não, não é verdade que o ateísmo é a marca da ciência e da inteligência suprema. Idiota é que não sabe dar espaço para a religião do outro. Aliás, tá tudo bem ser cristã e feminista; cristã/cristão e homossexual; cristão e curtir ir para festa. É claro que você pode optar seguir quaisquer dogmas, mas tá tudo bem se você optar só seguir seu coração e seu senso de justiça e bondade.

Tá tudo bem gostar de exatas e de humanas, essa separação só serve mesmo para fazer piada. Levá-la a sério demais põe em risco o que você tem de mais bonito: a chance de aprender um pouco de tudo.

Tá tudo bem se você não sabe do que você gosta, e pode ser em termos de roupa, de sexualidade, de profissão. É absolutamente normal. A diferença é que adulto não tem que prestar contas só para mãe e pai; a gente presta para uma sociedade inteira, e, às vezes, é mais fácil a gente fingir que sabe o que está fazendo só pra ninguém encher muito o nosso saco.

Tá tudo bem se sua mãe e seu pai não forem heroicos e invencíveis. Dói admitir que eles são só humanos e erram, mas com o tempo você vai parar de ver isso como defeito e tristeza, e vai ver como a possibilidade de que a vida é aprendizado mesmo, e tá tudo tá dando certo, então.

Tá tudo bem se você não quer ir na escola hoje, se tem preguiça da vida, se acha que ninguém gosta de você. Tá tudo bem ACHAR isso, mas não pare sua vida, ok? Eventualmente, a sensação passa e você perdeu matéria, diversão e boas amizades dando vazão para um sentimento que nem é tão certo.

Tá tudo bem se você gostar de Romero Britto, Pequeno Príncipe e camiseta amarela. Não me leve tão a sério, é tudo um jeito de te fazer sorrir.

Tá tudo bem se você não tem certeza do curso que presta. Essa dúvida sempre existe. Até as pessoas mais confiantes (eu, tá bem? euzinha) se questionam sobre sua profissão, sobre sua própria capacidade, sobre se de fato tem talento.

Tá tudo bem, aliás, nem ter talento pra nada: a gente não é smurf para nascer com habilidade pronta.

Tá tudo bem se tiver tudo ruim, faz parte da vida e é possível que passe. Só não tá tudo bem se alguém está se machucando com a sua conduta, especialmente se esse alguém for você mesmo. Não se maltrate demais, não se cobre mais do que a vida já cobra. Eu tô aqui, vem cá. Dá um abracinho.

miró

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Sala de Aula

Tá uma merda

Trombo com meus alunos nessa virada de semestre para semestre e eles estão exaustos. Essa talvez seja a pior época do ano, porque dá tempo de pensar. No primeiro semestre, a gente tem o ano todo pela frente. De setembro em diante, a correria é tanta, que nem temos tempo de pensar na vida. Mas esse frio, esse julho, essas férias botam a gente comovido como o diabo.

E daí que o que eu queria dizer a eles é que não vale à pena sofrer tanto, mesmo que, no lugar deles, em outros tempos, eu também sofri. Eu queria dizer, com o risco de parecer pessimista – coisa que eu não sou – que, afinal, isso não vai parar nunca: tá uma merda, pessoal. Ninguém tem certeza de nada nessa vida.

Ser adulto, deixa eu explicar, tem muito de fingir bem, tão bem que até a gente mesmo acredita. Mas não é verdade: a gente não tem certeza absoluta do porquê acorda naquele horário, vai para aquele trabalho, bebe com aquelas pessoas. Alguns lapsos de paz interior fazem a gente sentir que está  no caminho certo, mas são lapsos, tá? E a gente tende a se apegar a eles para conseguir dar conta do resto dos dias.

Você vai trombar com uma galera que enche o peito para falar da sua vida perfeita e organizada. Eu não sou dessa galera: eu NÃO SEI O QUE TÁ CON TE CENO, mas eu tô sempre tentando entender. Conversar sempre ajuda porque lembra a gente que: basta estar vivo para dar bosta.

Quando somos mais novos, queremos loucamente aproveitar o momento (é justo, faça isso): a festa, o jantar, o bar, aquela noite. A idade dá medo disso, a gente acaba pensando mais na ressaca do que na bebedeira (tá, ora ou outra, falhamos e também não damos conta de viver com aquela dor de cabeça). Mais que aproveitar o momento, a gente (eu pelo menos) passo a querer aproveitar as coisas que existem de verdade: sabe, aquelas que deixam a gente plena, bem, em paz?

É absolutamente normal ficar com medo e eu tenho medo todos os dias. Quem tem medo é porque tem algo a perder, e se a gente tem algo a perder é porque a nossa vida tá valendo à pena até aqui. Então, a gente vai ter que aprender a lidar com esse medo. Rola ser juntos, rola ir abraçadinho, sim. O que não dá é para ficar parado, deixando a brisa empurrar.

Eu tenho uma aluna que sempre me diz: a gente tem que respirar. É isso, só não esquecer de respirar, ser honesto com o que você sente e pronto. A liberdade é um trem difícil e a sua vida é sua, ela não vai sair existindo sem você por aí para decidir as coisas por ela. Aceite!

miró

fique pensando por que escolhi esse quadro

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