Poeminto

Pela metade.

“frustrado ele, apavorada ela,
mulher inteira, homem por metade”
(Saramago)
A gente cansa de gente pela metade. Eu meio que te amo, eu meio que quero ficar com você, eu meio que acho, meio que devo. Pela metade ninguém vale a pena. Metade amigo, metade companheiro, metade ser humano. Não, não vale a pena. Pessoas pela metade insistem na busca pela outra metade. E só há como dar metade de si sendo, um dia, inteiro. Vontade de ser inteiro, bando de incompletos. E hoje, acredite, só se pode ser de outro sendo antes seu. Entenda, só ama aquele que é inteiro sozinho. Não ama nem aquele que ama por dois, nem aquele que se deixa ser amado por dois. Uma hora isso passa, e aquele que amava por dois cansa de falar para o vazio, e aquele que era amado por dois cansa de não dedicar nada a ninguém. E assim, pessoas pela metade sentem pela metade e, quando por trapaças do destino, resolvem olhar pro lado de lá, percebem que não tem nada. E o nada, saiba, pode ser só metade do vazio que sobrou de você.
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